Pai Herói !!!
Por vezes não é fácil criar um filho sem o pai presente. Mas mais dificil é criar um filho com um pai ausente. São cruzamentos que aparecem , dúvidas sobre o caminho a seguir, e nesses momentos o peso da responsabilidade é em dobro. Naquele momento em que queremos ser o colo e não a palmada.
Ele errou, pisou na bola, fez feio mesmo … mas lá estou eu, mais uma vez a dizer que tudo foi o máximo, correu bem como sempre.
Fingir que aquele pai que tem falhas, por vezes falhas grandes, por vezes muito grandes, é um herói … tá errado? Quando ocultamos algumas verdades, quando floreamos histórias porque estamos a protejer aquele ser tão nosso, estamos a agir certo? Eu acredito que sim.
Com todas as minhas forças, eu acredito que o caminho é esse, talvez ele bata um dia com a cabeça na parede mas eu estarei lá para soprar as feridas,
Mas, tenho plena consciência e pago a factura, que quanto mais eu fizer do pai um herói me tornarei menos heroína !!!
Janeiro 31, 2008 às 9:10 am
Bom dia minha amiga,
Não concordo contigo a 100%. Tudo tem que ter peso e medida. As crianças crescem,e, felizmente, porque essa é a lei da vida, começam a ver as coisas com os seus próprios olhos. Não conseguiremos sempre fazer com que vejam o mundo, a vida, e as pessoas com os nossos olhos ( e nem queremos que isso aconteça, queremos que eles sejam autónomos, tenham a sua opinião, a sua forma de ver o que os rodeia). Acho que quando o pai do nosso filho não é herói, como mães devemos arranjar uma forma de mostrar tanto o lado bom, como o lado mau. Não devemos criar um mundo imaginário, porque um dia ele vai descobrir. E se nós não o prepararmos para esse momento, e quanto mais nós fantasiarmos, maior será a queda. Beijo grande.
Janeiro 31, 2008 às 10:53 am
Acho que à medida que o tempo passa, dá para dizer cada vez mais coisas, mais verdades, mas sem nunca denigrir o pai.
Sei que a minha mãe educou-nos quase sozinha, o meu pai viajava mais que estava em casa, e hoje que estão separados, é uma guerra, um ping pong para mostrar quem é melhor quem não é. Detesto isso e passo a vida à pôr a minha mãe no sítio (à boa maneira bantu, né, sem faltar o respeito nem nada), dizendo que o meu pai tem os seus defeitos, e eu os reconheço, mas não deixa de ser o meu pai.
Continuando assim, só vai dar para ter o efeito contrário, em vez de pensar que a minha mãe é heroína, vou passar mais tempo a defender o meu pai. E eu não tenho que escolher. O problema é deles, não é o meu. Não tenho nada a ver com a separação e com os rancores.
Então porquê continuar a pôr as crianças nessa guerra ? Não faz sentido…
Janeiro 31, 2008 às 12:48 pm
Eu concordo com a idéia geral da Kianda…tenho filhos de idades bastante diferentes, com caracteres e maneiras de estar bem distintas e o certo é que, os três, cada um a sua maneira, natural (e julgo que até inconscientemente) acaba por valorizar mais as virtudes do pai desprezando o “menos bom” que o pai possa ter…o pai é “o ser dos fins de semana e das férias, prendas e afins” e por norma não “perde tempo” (e nem tem predisposição) para por exemplo corrigir, ralhar, castigar…sendo a mim que, normalmente, cabem todos os papéis (pro bom e pro mau)…nesse sentido é tarefa (quase) inglória estar a enfatizar/mostrar os defeitos do pai…penso que com a idade eles próprios descobrem o que tiverem que descobrir, na tal idade que já deverão ter maturidade para conseguir lidar (e gerir) esse tipo de situação…não floreio mas também (tento) não passar muito o lado negativo e defeitos que o pai possa ter…é o que tento, as vezes, é bem verdade que não consigo! Como diz o povo “pra quê dar murro em ponta de faca?”…cada coisa a seu tempo…
Ana, um beijinho grande…saudades!
Kianda, ser pai e mãe é fogo…mas também creio que é uma luta ganha, no sentido de que tentamos sempre fazer o melhor que sabemos…
Janeiro 31, 2008 às 12:54 pm
Era +/- isso que a Ana queria dizer, Jo, contar a verdade e deixar a criança fazer o seu próprio julgamento … percebo-te e concordo, no caso do meu post era a imagem de Herói na vida e não no casamento/relação.
Ou seja, fantasiando imaginemos que o pai está preso por algum crime, devemos dizer que o pai viajou para longe? Será que mais tarde, ele irá de certeza saber não será pior ?
Acho que a Ana quis dizer que podemos dizer que está preso, mas embelezar o crime
Janeiro 31, 2008 às 1:07 pm
Não vi o teu comentário marta, enquanto tava a escrever o meu, houve aqui uma diferença no timimg…e alterei D. para Kianda, ok?.
Concordo com o que disseste, mas a minha pergunta era se devemos fazer um herói quando não é e pagar a factura mais tarde … vide o meu comentário anterior, o exemplo do pai preso.
Janeiro 31, 2008 às 2:05 pm
e se for o contrário, o pai a criar os filhos, vai dizer o quê da mãe? Que foi embora e é a melhor do mundo, uma heroína? Ou está longe e vai voltar mais tarde ou mais cedo. Quando se trata da mãe o espírito machista dos homens é tentar denegri-la junto dos filhos, o que também não será correcto. Acho que cada caso é um caso. Terá sempre que haver bom senso com a educação dos bambinos. Não criar heroínas nem p…!
Janeiro 31, 2008 às 3:24 pm
No exemplo do pai preso, eu não faria dele um herói…mas também não poria a coisa como se estivesse a falar com um adulto, por exemplo, não entrando em detalhes (ou julgando)…diria por exemplo “o pai cometeu um erro e tem que pagá-lo perante a justiça (do tipo o castigo dos adultos é dado pelo governo)”…sei lá…o que lhe diria dependeria em muito do grau de maturidade…não inventava uma história do tipo “viajou”…a meu ver essa factura seria bem mais alta a pagar…imagina que, o tempo se encarregasse de adiantar-se e antes do filho “ter idade para saber das coisas”, algum amigo/a lhe dissesse ou a criança via nas notícias/jornal (não é preciso ser famoso para aparecer nos media, bastaria por exemplo, uma reportagem ou documentário sobre reclusos…)…há situações em que as consequências (factura) são bem mais nefastas e ferem muito mais do que a verdade…
De qualquer maneira é só uma opinião…só confrontada com os factos saberia realmente o que fazer…
Beijinhos
Janeiro 31, 2008 às 3:55 pm
Custa muito ver a desilusão estampada no rosto de um filho(a), custa mais ainda, quando o motivo dessa desilusão advém do seu próprio progenitor ausente (seja pai ou mãe). O que se passa é que muitas vezes o progenitor presente, sempre presente, para não ver essa desilusão estampada no rosto de um filho(a), justifica o injustificável, logo (in)conscientemente está a “limpar” a falha do progenitor ausente. Se vale à pena ou não?!! Não sei, mas a desilusão desapareceu dos olhos do filho(a), na próxima falha logo se verá.
Um dia o filho perceberá que tudo foi feito apenas para vê-lo sorrir, enquanto o progenitor ausente, sempre ausente continua a ser o seu herói.
Janeiro 31, 2008 às 4:02 pm
“Acho que a Ana quis dizer que podemos dizer que está preso, mas embelezar o crime”. Não quis dizer isso de maneira nenhuma. Neste caso a minha postura vai de encontro com o que disse a Marta. Cometeu um erro e tem que pagar por isso. O erro deve ser explicado de acordo c a maturidade da criança.
Baião, a atitude correcta neste tipo de situações não difere por ser o pai ou a mãe. Quando é a mãe a sociedade é que julga de maneira diferente. Como disse a Jo, os adultos é que têm que se entender e tentar deixar as crianças sem pressões, fora da guerra dos adultos, a criança não tem que que fazer uma escolha!!
Janeiro 31, 2008 às 4:53 pm
Era exactamente isso, Xó, o prazer de ver o brilho nos olhos da criança quando sente o pai herói … a recompensa que é aquele momento. Se vale a pena ou não, qual o preço a pagar mais tarde, pois não sei …
Quanto ao ser ou pai ou mãe concordo que o tratamento deve ser igual mas realmente a sociedade julga de maneira diferente.
Janeiro 31, 2008 às 9:55 pm
uma coisa é a atitude correcta, outra é o que esta sociedade, em que vivemos, nos “obriga” ao tal comportamento diferenciado. Se calhar noutras sociedades mais evoluidas o problema não se pôe com tanta acuidade. Também depende muito do grau de educação que os pais tenham adquirido. É como no tempo dos nossos avós, em que as crianças eram confrontadas com a pergunta sacramental,”Gostas mais do pai ou da mãe?”. Vocês acham que na sociedade em que fomos criados, em Angola, este problema se põe? A maior parte das jovens a partir dos 17 ou 18 anos já são mães solteiras e os pais são uns grandes munhungueiros, de heróis, só se foi na guerrilha.
Fevereiro 1, 2008 às 9:03 am
Hehehe… Um dos bloguistas fala em tempo dos avós e sociedade que fomos criados em Angola, é um contracenso, porque no caso, ou é um ou é outro… assim não chegam a situação nenhuma, ou se está a falar a sério ou a fazer romance. Quanto ao assunto em questão não há muito a dizer porque a criança não tem pai, é só esplicar o que é um pai e ele vai entender… Quanto a “embelezar”, não é correcto, porque quanto maior a mentira, maior é a dor da verdade, e mais vale uma criança triste por não ter pai, do que uma desiludida para toda a vida, porque os outros putos tão a crescer e vão se rir do que o teu diz, porque os pais comentam em casa.
Fevereiro 1, 2008 às 1:03 pm
O bloguista Paulo Russo não entendeu a mensagem, cada sociedade encara o problema de maneira diferente, se for na Europa, o problema dos filhos criados sem pai ou mãe é encarado por um determinado prisma, mas se for em África ou Ásia será necessariamente diferente. Era a isso que eu me referia, deve o senhor Paulo Russo não ser precipitado e ler atentamente o teor das mensagens sem pressas.