Sagrada Esperança

By kianda

Tinha dito num post anterior que expunha a polémica sem dar a minha opinião, que mesmo assim acho que se lia nas entrelinhas, mas volto a este assunto para expressar que realmente não concordo com a palavra medíocre na crítica à poesia de Agostinho Neto e até posso não perceber nada de poesia.
Ao voltar a pegar, e ler o livro “Sagrada Esperança – Poemas” de Agostinho Neto reeditado em Português, Francês e Inglês pela UEA e com ilustrações lindas de António P. Domingues, que faz parte da minha Biblioteca para que com todo o carinho possa mostrar ao meu filho um bocado da história do nosso País, não posse deixar de me indignar com as palavras de José Eduardo Agualusa.
Não é política, é história, é a memória colectiva de um povo que estudou nas aulas de Português os textos que eram poesia de Neto.
Eu, na minha ignorância – que assumo – acho que as críticas de livros, textos, poemas, quadros, devem ser reportadas , analisados à época que foram executados porque fora de um contexto as coisas podem não fazer sentido.
Voltando ao livro, ao ler os agradecimentos fico presa no paragráfo que diz : “… No momento em que se realiza esta edição na sua forma definitiva, fruto do nosso trabalho … … eu e meus filhos dedicamos uma saudação fraternal a todos aqueles que amanhã lerão esta obra de liberdade.”
E eu acrescento que essa obra de liberdade não pode ser , de certeza, medíocre.
E como me sinto, como me devo sentir, ao dar uma volta pelo blog e me lembrar que em Abril do ano passado escrevi um post onde achava que talvez esta poesia de Neto ainda era actual.

P.S. – Gosto muito dos livros de José Eduardo Agualusa

13 Respostas para “Sagrada Esperança”

  1. joannv Diz:

    Eu acho que vi « Sagrada Esperança » na biblioteca da minha mãe. Tenho de lá ir roubar como já roubei o Pepetela ;-)

  2. Fernando Baião Diz:

    Já dei a minha opinião em vários Bogs, até no do Chefe, que não sei quem é, e estou em inteira sintonia com a Kianda, criticar sim, mas não ofender a escrita dos outros, como também, o sr. AguaL, não gostaria que lhe chamem escritor mediocre. Para quem não saiba, o Sr. AguaL nunca gostou do partido no poder, pois este nunca deu confiança às suas manifestações savimbescas. Aproveitou uma conversa com um semanário da oposição para se fazer evidenciar, pois todo o mundo o continua, em Angola, a ignorar. A crítica não foi literária, foi política, estão aí à porta as eleições e há que destabilizar. Em Angola há democracia, senão esse sr. não falava para os jornais angolanos e em Portugal, só os saudosistas da “pérola do Império” “Angola”,lhe dão alguma audiência. O que ele diz e fala, ninguém dá importância, era preciso uma coisa muito forte para que fosse falado, viesse à tona de água, mas vai voltar par o fundo rapidamente.

  3. f. Diz:

    Kianda, eu não conheço a fundo a poesia de Agostinho Neto para julgá-la. E gosto muito do que escreve o Agualusa. Isso colocado, o que estranho nessa polêmica foi terem transformado uma opinião estética numa questão política. Agualusa não estava a julgar o papel histórico inquestionável de Agostinho Neto. Estava a emitir sua opinião sobre a estética da poesia. Num país democrático qualquer cidadão tem o direito de exprimir sua opinião e outros têm o direito de concordar ou discordar, como aliás você o faz aqui de forma bastante equilibrada. Daí a começar a acusar o outro de ser deste ou daquele partido, de ter tendências desta ou daquela corrente, de estar tentando desestabilizar o processo eleitoral (!?), vai uma diferença enorme. E o Agualusa vai parar na Justiça por ter emitido uma opinião! Isso é democracia? Já imaginastes se todo crítico for processado quando não gostar de um livro?

  4. Fernando Baião Diz:

    Gostar do que escreve o AguaL, é uma coisa. Como você, F, acho eu, não conhece o cidadão AL, não tem nada que dar palpites disto ou daquilo, quando entramos no foro da realidade politico-social. Você nunca leu as suas crónicas antigas nem sequer sabe do seu comportamento político, quando nós andavamos a lutar para que as forças conjugadas, sul-africanos, mais conhecidos por karkamanos, CIA e companhia, mercenários portugueses e não sei se brasileiros, homens da Unita e da FNLA, não nos aniquilassem. Aqui não há esquerdas, nem direitas. Não faça juizos de valor, sem conhecer a nossa realidade. Acha que o tal individuo, falar como falou na nossa imprensa, não é democracia? Se fosse no Brasil, um canganceiro já o tinha abatido.

  5. kianda Diz:

    Aqui, no meu cantinho, no meu silêncio toda a gente é livre de dar palpites, desde que o faça com educação.
    E quando não concordamos com a opinião de alguém devemos defender a nossa posição com argumentos e não com ataques às pessoas com as quais discordamos, porque, ao fazê-lo corremos um sério risco de perder a razão.
    Para que não restem dúvidas da minha posição, eu não concordo com a frase do Agualusa pelas razões que apresentei, não me interessa qual a simpatia partidária dele porque esperemos que todos sejamos JÁ livres de escolher.
    Realmente está na altura de começar a mudar mentalidades, mas também entendo que não vai ser fácil e têm que passar algumas gerações, mas que era desejável, era.

  6. Fernando Baião Diz:

    Kianda, mudar sim, mas esquecer é mais dificil. Sobre a parte política, acho que expressei a minha opinião sobre o tal senhor AguaL, com conhecimento de causa.Dei a minha opinião, sobre o porquê de só agora o tal senhor ter tido a análise infeliz sobre a poesia de Neto e outros nacionalistas, também poetas. Se outros opinam sobre o que eu penso e escrevo, devem dizê-lo directamente, frontalmente, sem derivações e sobretudo com conhecimento de causa. Aqui penso que ninguem ataca ninguem, como disseste e bem,todo o individuo é livre de exprimir a sua opinião. Quanto Há falta de educação, passo.

  7. f. Diz:

    Fernando, quero esclarecer que eu não estava a opinar sobre o que você pensa ou escreve. Estava apenas a falar da situação que acompanhei pelos jornais de Angola, onde aliás estou a viver. Mas, como sou democrático, acho que você tem todo o direito de dar quantos palpites quiser, inclusive sobre a existência de cangaceiros no Brasil, mesmo que lá não viva, como parece ser o caso, para saber se isso é verdade ou não. Só peço que me dispense o mesmo direito à opinião.

  8. Jo Ann v. Diz:

    Epa…

  9. engricky Diz:

    E esse Benfica, hã? :P
    Meus(inhas) amigos(as), quanto mais se falar do clima tenso q se vive no pré-eleitoral mais se relembra aqueles q lucram com ele q podem criar ainda mais tensão.

  10. OTB Diz:

    E no meio deste fogo cruzado, saudavel e educativo, só digo o seguinte:

    José Eduardo dos Santos é um grande Presidente !!! Se não o fosse, homens (perdão ????) como esse aguadoluso ou agualusa ou sei lá o quê estavam todos num buraco coberto de ervas daninhas considerando o que no passado nos fizeram. Este agualusa e outros iguais a ele, só os defende quem não os conhece. Pessoas repugnantes, com duas faces e caminhar conforme o vento. O que dizer de um homem (desculpem ???) que se envergonha da própria familia ?. Relativamente ao que ele disse do Agostinho Neto penso que não teve muito a ver com politica e que até foi uma opinião técnica mas eu pergunto quem é o Agualusa para falar do Agostinho Neto ? o Agostinho Neto não era grande coisa e graças a ele Angola esta a passar maus bocados mas não reconheço no Agualusa conhecimento aprofundado e reconhecido para a opinião deselegante que ele deu. Ficou-lhe mal. Foi pouco ético.

    Entendo perfeitamente o kota FB, só não entende quem não é genuíno (voces sabe do que é que eu estou a falar !!!!!!!!!!!)

    A unica coisa que um dia o AguaL disse de jeito foi que o Camarada Presidente José Eduardo dos Santos é “um personagem fascinante”. XXXXXXXXXXéeeeeeeee. Até um “reacça” daquele se vergar no ManDudas !!! Zé Du és memo bué mo kota !!!! Confundi e Bazeiiiiii.

  11. Telma_TL Diz:

    Kyanda,faço das tuas as minhas palavras.
    E penso que seja muito importante termos sempre em mente que tanto Agostinho Neto,como António Jacinto e António Cardoso foram mentores da política de combate angolana.Logo a poesia deles não podia nem devia,penso eu,classificar se nos mesmos moldes que outros escritores.Basicamente dizer que a poesia destes escritores é medíocre implica dizer que cantores como Urbano de Castro e David Zé também o são.
    Todavia acredito que as pessoas aprendem com erros.
    Numa próxima vez,Agualusa irá certamente pensar duas vezes antes de acrescentar algo do género

  12. Núbia Maré Diz:

    Bom noite Kianda, não lhe conheço, não nasci em África, mas o meu ser enquanto pessoa está aí, não conheço os políticos de Angola ,afinal não conheço Angola, já li uns poemas do livro Sagrada Esperança, de Agostinho Neto, aqui no espaço cultural de Angola no Rio de Janeiro, sua poesia mostra o desejo de liberdade de um povo frente ao domínio neocolonialista, é isso que importa, hoje eu não sei qual é a condição política de Angola, mas a tradição africana nos ensinou desde a muito tempo que devemos respeitar o nossos antepassados, as suas experiências, o seu legado. Afinal ele e seus companheiros lutaram para que pessoas como nós (eu me incluo também) hoje tivessem uma sociedade aparentemente melhor. Acretido que a luta ainda continua, pois muitos irmãos no mundo sofrem!!!Neto usa as palavras para falar de revolução, a luta na qual ele vivia, acredito que é através das palavras que conhecemos o ser humano. Fica com Deus!!!!! Axé

  13. Anita Diz:

    Para uma melhor precisão aconselho ler-se O Grau Zero na Escrita Poeticade Agostinho Neto
    http://www.ovimbundu.org/Cronicas/Sociedade

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