A minha primeira impressão? Que é tudo muito falso, sem personalidade. Parece que nada encaixa no sítio certo. Estamos no Médio Oriente mas de repente algo nos faz lembrar Manhattan, logo a seguir Paris, tudo foi copiado de algum sítio e construído aqui. Cada vez mais sei que me impressiono com a obra da natureza e esta é a obra do homem.
Mas claro que uma obra fantástica. Os prédios altos, as torres saltam à primeira vista, ficamos logo de boca aberta, nunca vi nada assim. Depois pensar na obra que é The Palm Jumeirah, outra obra impressionante feita pelo homem. A torre Burj Dubai (the world’s tallest tower- 2010). O Burj Al Arab, o único Hotel de 7 estrelas do mundo que descansa numa ilha feita pelo homem. Atlantis, situado na ponta da Palmeira. A Sheikh Zayed Road com as suas 6 faixas de casa lado. Tudo obras feitas pela mão do homem e que impressionam de tão grandiosas e luxuosas.
Falando do que fiz, visitei o Museu do Dubai que gostei muito. Pequeno, simples mas muito bem conseguido, muito bem elaborado, basta 1:30 a 2 horas para ficarmos por dentro da história do Dubai, desde o tempo dos pescadores de pérolas até aos dias de hoje, o Dubai moderno. Muito interessante.
Passeio de barco pelo Creek, a bordo de um abra (só para nós) onde conseguimos ver Deira (parte mais antiga) de um lado e Bur Dubai do outro. Cruzando os sítios histórico e os mercados, bem como as partes mais modernas da cidade.
Ski Dubai, dentro do Mall of Emirates com 5 pistas de neve, rampas, e um “snow park” onde nós estivemos e congelamos
, a brincar com a neve.
Fizemos um tour ao deserto que não foi bem aquilo que esperávamos e acabámos por não andar de camelo (porque de manhã eles estão a comer). Mas o driver fez um rali nas dunas que valeu a manhã e ainda andamos de moto 4. Só faltou mesmo andar de camelo mas fica para a próxima noutro deserto qualquer.
Um cocktail de fim de tarde no Burl Al Arab para ver como é um Hotel de 7 estrelas, onde o luxo, e o ouro, são as palavras de ordem.
Jantar na Dubai Marina, linda, rodeada de arranha-céus, nunca tinha visto uma marina com prédios altos
. Mas fumam muita xixa e por vezes é um cheiro insuportável.
Ainda tempo para um mojito no Vu’s Bar nas Emirates Towers, torres gémeas (uma com 355m e a outra com 305), no 51º andar com uma vista soberba sobre a cidade.
Dia passado em Atlantis, na ponta da palmeira, com parque aquático e a cereja no topo, o beijo ao golfinho. 90 minutos na Dolphin Bay onde aprendemos muita coisa sobre os golfinhos e depois 30 minutos onde estamos lado a lado com ele. O nosso era o Linux, e coinscidentemente o tratador era o Valter, um angolano que também já passou por Portugal
… o mundo é pequeno (ou Angola é grande
)
… e muito pouco shopping . Mas claro que estivemos em centros comerciais. No Dubai Mall, tempo para ver o show na Fountain (desenhado pela mesma equipa que desenhou as famosas Bellagio fountains em Las Vegas), uma bela combinação de água, luz e música.
Algumas coisas ficaram por fazer, ver a Mesquita, Jumeira Mosque, a única que permite a entrada de não-muçulmanos. Os mercados, um tour a Abu-Dhabi, um dia na praia.
Fiquei com a impressão que os árabes não são simpáticos, nunca tinha sido pisada por alguém que não me pediu desculpa a seguir, nunca tinha sido tantas vezes empurrada nas filas sem ninguém pedir licença. Muitos aspectos culturais nos marcam pela diferença, ninguém é melhor do que ninguém mas somos realmente diferentes.
Tudo no Dubai é maior e autoproclamado melhor: o hotel Burj Al Arab é o único sete-estrelas do mundo; o prédio Burj Dubai será o mais alto do planeta quando estiver pronto, em 2010, assim como o shopping Dubai Mall e o complexo de entretenimento Dubailand prometem impressionar.
A cidade tem praias e até ilhas artificiais, resorts fantásticos, shoppings gigantes. Com as reservas de petróleo no limite investiu no marketing do turismo, para criar uma fonte de renda inesgotável.
Mas a crise já chegou aqui, as obras, muitas delas, estão paradas e fui recebida na 4ª feira com a notícia de que este emirado (um dos 7) pedia para adiar o reembolso de parte de sua dívida, da empresa de investimentos estatal Dubai World (59 biliões), o que levou o pânico aos mercados.
Não sei como serão os próximos tempos, neste pequeno paraíso de luxo.
Novembro 29, 2009 às 10:52 pm
E o estado com 90 bi para pagar também…
Diz-se em francês: folie des grandeurs
Novembro 30, 2009 às 2:33 pm
…hummm…tudo megalomano portanto!

Vi as fotos dos golfinhos e simplesmente adorei!!!
Deve estar a ser mesmo fantástico! Pena estar a acabar né?
Gostei muito de toda a tua descrição, deu pra viajar, por momentos até consegui visualizar…há coisas realmente «feitas pelo homem» que não têm “grande interesse”…o «auto-proclamado maior/melhor» nem sempre é belo (pode até ser magestoso)…a «falta de civismo/educação» deixou-me boquiaberta…
Beijo Kiandinha e boa viagem de regresso!
Dezembro 10, 2009 às 1:18 pm
Concordo Contigo Kianda. Acho aquilo uma artificialidade assustadora sem tirar o merito, obviamente, de terem conseguido transformar, em 5 anos, KMs de deserto em modernas urbanizações. Um bom exemplo do que é possivel fazer quando há vontade politica. Entretanto, penso que ao fim de meia duzia de dias o encanto e o “wow effect” desaparecem e queremos rapidamente voltar a por os pés em chão real.. Agora, nao posso deixar de referir que já passei uns dias na suite Presidencial do Burj-al-arab e aquilo nao tem nada a ver com mesmo nada, até pista para correr (com 2 KM) tem na suite, isto apenas para ressalvar que acho aquela gente muito exagerada. Penso que o ocidente optimiza com muito mais equilibrio o requinte.