Archive for Abril, 2010

Ágora – Fernando Baião

Abril 27, 2010

Novo Jornal

Angola no IndieLisboa

Abril 27, 2010

Hoje na Cultugest temos uma sessaõ dupla de documentários sobre a música em Angola, de Jorge António:

Kuduro – Fogo No Museke
Jorge António
Exibições: 27 Abril, 21:45, Culturgest, PA
Secções: IndieMusic

Documentário, 2007, 52′, Beta Digital PAL
Argumento: Jorge António
Fotografia: Cláudio Jorge
Música: Vários
Som: Hugo Reis
Montagem: Nuno Egreja
Com: Ana Clara Guerra Marques, Dog Murras, José Luís Mendonça, Noite & Dia, Puto Prata Fofandó, SeBem, Tony Amado
Produção: MUKIXE Audiovisuais, Lda.
Desde a sua independência, nunca Angola tinha assistido a um movimento cultural tão dinâmico e tão polémico como o (género musical) Kuduro. “Kuduro, Fogo no Museke” é o retrato social e cultural de uma nova geração, que quer acima de tudo ser a voz de uma nova Angola.

Angola – Histórias da música popular
Jorge António

Exibições: 27 Abril, 21:45, Culturgest, PA
Secções:IndieMusic

Documentário, Reino Unido 2005, 52′, Beta Digital PAL
Argumento: Jorge António, Mário Rui Silva
Fotografia: Cláudio Jorge, Raul Booz
Música: Vários
Som: António Pedro Figueiredo
Montagem: João Assunção
Com: Ana Maria Mascarenhas, Beto Gourgel, Carlos Ferreira, Dionísio Rocha, Dog Murras, Eleutério Sanches, Filipe Zau, Garda, Nguxi dos Santos, Paula Simmons, Rui Mingas, Santocas, SeBem, SP, Teta Lando, VIP
Produção: LX Filmes
Do lendário “Liceu” Vieira Dias e os Ngola Ritmos, no final dos anos 40 até aos dias de hoje, este documentário é uma viagem ao universo da música popular angolana, através da voz dos artistas mais importantes de todas as gerações, tendo como pano de fundo a história politica e social de Angola.

Playboy Angola

Abril 22, 2010

Sempre a subir … acredito que seria o comentário de muita gente, aqueles que quando tu dizes “Não há luz outra vez” respondem “mas estamos sempre a subir, mana!!!” e que bem que fica aqui o “sempre a subir … “

Eu, não comento, vou deixar aqui a notícia sem opinião. Acreditando porém no sucesso das vendas, nas bancas ou fora delas, e tenho um palpite de quem será a primeira capa, mas também vou guardar para mim.

Tou assim, egoísta. E já, uma vez mais, com saudades do teu cometário que seria de certeza com o humor que te caracteriza(va).

Frestacom, dona da Playboy Portugal, tem assegurados os direitos para a publicação da revista masculina no mundo lusófono, excetuando no Brasil, e quer lançar a Playboy Angola já em 2010 e, possivelmente, criar também a revista em Moçambique este ano.  

“Desde o início pretendemos sempre expandir a atividade para os países lusófonos, menos para o mercado brasileiro, onda a marca já está implementada em força há vários anos, e o passo um vai ser em Angola, seguindo-se Moçambique”, avançou à agência Lusa o vice presidente da Frestacom, Gil Teixeira.

“As coisas estão a correr bem, por isso, queremos entrar este ano em um ou dois países lusófonos, Angola e Moçambique, e é essa a estratégia de expansão que está a correr neste momento”, salientou. 

Gil Teixeira salientou que “a marca Playboy vale muito” e que é a primeira publicação da Frestacom, que quer crescer rapidamente para outros segmentos do mercado da imprensa e, a médio prazo, para a televisão, a rádio e os conteúdos por cabo. 

O vice presidente, que é o responsável pelo pelouro financeiro da Frestacom, considerou que “o mercado editorial está cheio de vícios que outros setores não têm”, mas recordou que o modelo da Playboy sempre assentou nas vendas da banca, o que lhe permitiu crescer em contra corrente com o mercado. 

“Em tempos de crise, conseguimos vendas muito acima das expetativas iniciais, tal como as receitas, e isso deve-se às vendas em banca, já que não sofremos com os cortes na publicidade, que tem um peso de apenas de cinco por cento na faturação da empresa”, salientou.

A Playboy Portugal tem uma média de apenas cinco inserções publicitárias ao final dos primeiros dozes meses de atividade, que puseram nas bancas 13 edições da revista. 

“Temos um custo de página caríssimo, muito acima do resto do mercado, e apostamos sobretudo nos conteúdos para os nossos leitores, já que são as vendas em banca que sustentam o negócio”, explicou Gil Teixeira em entrevista à Lusa.

Amba – Paulo Flores

Abril 19, 2010

Acho eu que é “em primeira mão”, o trabalhão que me deu passar isto para o you tube, cria perfil, faz upload do primeiro video, mas cá está ele para verem e ouvirem.

Trabalho de Sérgio Afonso, filmado no Miradouro da lua e no Namibe e eu adorei. Achei um trabalho excelente, muito muito bom.

Amba, Letra:Zé da Minga e Música:Murimba Show do Disco Ilhas da Triologia Ex-Combatentes

Irrepetível

Abril 16, 2010

Pensei em não publicar, hesitei, mas hoje resolvi deixar aqui alguns pensamentos soltos, sem edição, que me foram atravessando a mente nos dias de UCI. Resolvi postar aqui porque achei que ele gostaria, ele gostava que eu fosse escrevendo umas coisas … Não foram dias fáceis para ninguém, e hoje percebo porquê, porque aquele não era o meu pai, o meu pai é aquele que trazemos na lembrança com o seu humor, a sua alegria, as suas histórias bem exageradas :) , a sua dança, a sua força e alguma irracionalidade na defesa das convicções, a sua força de viver … irrepetível !!! Esta foi a definição que um amigo fez do Baião e que eu achei genial, por isso roubei para título deste post.

Aqui fica um bocadinho de mim :

Day #1 (Segunda 2010/03/29)
O susto, o choque, o medo, o choro !!! O sentimento de injustiça. Porquê?! Não era hoje, não era. Podia ter sido antes, hoje não.
Dormir com medo que o telefone toque, dormir?! Era bom.

Day #2 (Terça 2010/03/30)
Olho e penso que não sei se quero que acordes de qualquer maneira. Tu não ías querer. Choro. Tou com a cabeça a mil, alterno tão rápido entre o choro e o riso. Já sei que a noite me trará medo, sempre o medo que o telefone toque, vou sair à noite, ouvir boa música, sugar a energia dos meus amigos, para dormir cansada.

Day #3 (Quarta 2010/03/31)
Hoje ao segurar a tua mão destes um esticão nas pernas, assustei-me. De repente senti uma esperança, que acho que não quero sentir, não suporto mais esta montanha russa, na próxima paragem eu saio.
Já não aguento o pi pi pi das máquinas. Resolvi ouvir música, Maria Gadú e sorrio. A minha vida tem banda sonora sempre teve e assim me consigo transportar para outros Universos. Já não tou aqui, já não oiço as vozes dos familiares dos outros doentes que estão a melhorar, já não oiço as vozes dos enfermeiros contentes com os doentes que estão acordados, estou longe daqui contigo. Vejo-te dançar, descalço, mãos para cima. Sorriso. Choro, mas desta vez de alegria. Bendita música.

Day #4 (Quinta 2010/04/01)
Hoje ouvi Paulo Flores, “Sembas”, sorrio ao sentir que ías gostar de ouvir também. Ndapandula. Batuco nas tuas mãos o ritmo do Semba, quem sabe não sentes e resolves acordar para dançar connosco. Lembro-me do livro que estavas a escrever com a homenagem ao Paulo Flores, lembro-me que o tenho no meu email, quem sabe um dia edito. Ohhh Pai, que sensação tão forte que tu não vais conseguir sair desta e já tenho tantas saudades tuas.

Day #5 (Sexta 2010/04/02)
Hoje mais uma vez a música foi Maria Gadú. O pensamento voou para longe muitas vezes.
Ontem um amigo meu disse que eu era boa pessoa, penso nisso. Penso como posso ser boa pessoa quando não tenho vontade de estar aqui??!! Quando a alegria de quem está feliz com o seu doente me incomoda???!! Na … já fui boa pessoa, hoje simplesmente sou !!!
Hoje já não suporto o olhar de pena da enfermeira. Não sou nem quero ser coitadinha. E tenho um grito calado na garganta.

Day #6 (Sábado 2010/04/03)
Mais um dia sem vontade de cá vir. O mesmo medo de entrar e o mesmo medo enquanto cá estou, que a máquina pare naquele exacto momento. Olho para os monitores como faço sempre a tentar identificar um sinal. Inútil, não percebo nada. E a mesma sensação, a sensação que não sei até quando aguento estas vindas diárias ao Hospital.
As minhas amigas lá fora disseram que eu era a única que ria e o meu pai é o pior doente. Vou chorar sempre? Tenho que alternar não?! E se calhar depressão é isto, o alternar entre estados.

Day #7 (Domingo 2010/04/04)
Não fui.
Tive um almoço com um amigo. Parece que é Páscoa. Bom almoço, bom papo, calmo, fiquei em paz. Começou tarde, acabou muito tarde, já passava da hora da visita, mas eu também não queria ir. Finalmente em tantos dias, tive uma sensação de paz, talvez pelo mar, pelo sol, o que é certo é que não queria perder essa sensação, mesmo que por momentos.
Descobri que vivo em sobressalto, que o telefone toque. Há telefonemas que me fazem disparar o coração, do meu irmão muito tarde, ou muito cedo … de números que não conheço.
Pedi à minha amiga M. para ligar para o Hospital a pedir notícias, eu não consigo. A resposta? A de sempre, tudo na mesma.

Day #8 (Segunda 2010/04/05)
Não fui.
Adormeci ontem a pensar se conseguiria ir trabalhar. Dá-me ataques de pânico só de pensar que tenho que ir. Depois acabo por dormir muito pouco e de manhã tou sempre cansada. Acordei e vi que não conseguiria. A minha sobrinha faz anos, há almoço de família e eu preciso de ir. Fui e foi o melhor que fiz, passei o dia com a família, a minha avó.
Mas senti tantas saudades do meu pai. Percebi que ainda não estou preparada, não sei o que é isso que as pessoas dizem “tens que estar preparada”, ainda não percebi bem como me posso preparar.
E sempre que há futebol dou por mim a ter vontade de mandar sms, de ligar, como sempre fazia, será que algum dia vai passar?!!

Day #9 (Terça 2010/04/06)
Resolvi que tinha que ir trabalhar, tinha que entrar na minha rotina. Sinto que estou à beira do abismo e só a minha rotina, só com uma grande força interior volto à terra. Tenho um filho que precisa de mim, e hoje voltei para ele. Fui trabalhar, só com meio cérebro, mas foi bom.
E a minha hora de almoço foi passada contigo. De repente reparo que estás a levar sangue, e não sei porquê acho que não é bom sinal. Choro, hoje choro como já não chorava há dias. Queria tanto que acordasses. tanto, tanto. E eu… tão racional, hoje acredito que isso é possível.

Day #10 (Quarta 2010/04/07)
Terapia ao almoço e issues ao fim da tarde não deu para te ir ver. Percebi que vou ter de falar mais sério com o Joshua, acho que é esse o meu papel. Telefonemas de números fixos desconhecidos rebentam com a minha estrutura, isto é um desgaste emocional muito grande. Neste momento tou em negação, não quero que isto aconteça, não quero. Peço mais uma vez à M. para ligar para o Hospital enquanto eu tremo.Já não percebo se ganho um minuto de vida se perco um minuto de vida.

Day #11 (Quinta 2010/04/08)
A empregada do meu pai foi lá à hora do almoço e só pode ir uma visita a essa hora. Ok, também já não tenho forças. Ela disse-lhe que ele ainda tem que ir comer feijoada :) !!! Ele levou mais uns balões de sangue, as plaquetas estão muito baixas, nem agora o cancro nos deixa em paz. Hoje não tá um dia fácil para mim, hoje não estou, não sou. Pairo, grito, rasgo a alma em busca de um conforto que não encontro. Hoje tudo me parece um pesadelo. Penso no meu irmão, não era naquele dia, não era. Penso nos meus irmãos, na minha avó , no meu filho … choro …

Day #12 (Sexta 2010/04/09)
Não consegui ir. Ao almoço não deu e ao fim da tarde atrasei-me…tinha pensado ir ao cinema com o Joshua mas foi um dia em que os acontecimentos foram mais rápidos que as vontades e nada deu certo, nada no dia correu como planeado. Foi também o único dia em que fiquei sem noticias porque não tenho coragem para ligar para o hospital sem saber o que vou ouvir. Pedi a uma amiga mas mais uma vez as coisas sairam trocadas, hoje não é um dia. Aliás, ele começou errado mesmo.

Day #13 (Sábado 2010/04/10)
Oh pai não gostei nada de te ver, nada. Tás com uma cor estranha e as mãos tão inchadas, tão inchadas. Olho para os monitores, mais uma vez tentando entender tudo aquilo, e por comparação há coisas que já sei ler. O índice de oxigénio que te atiram para dentro dos pulmões subiu de 11 para 20 … não é bom sinal. Mas engraçado estive sempre serena. Fiz-te massagens nas mãos para aumentar a circulação e creme nas mãos, lembrei-me de quando te pus a fazer manicure no aeroporto de Sampa, falei contigo, pedi para acordares, mas não chorei e até sorri. Vim embora com uma paz estranha no coração.

Day #14 (Domingo 2010/04/11)
Dia de Chill Out, não quis ir ao hospital e não senti que me iria arrenpender. Precisava de descansar, de tudo, a semana vai ser de dura, trabalho e ainda não tenho forças. Preciso de descansar. Tenho uma dor de cabeça estranha o dia todo, passei o domingo com Aspegic1000 e mesmo assim sempre com dor de cabeça, estranha. O meu primo foi ao hospital e o de sempre, tudo na mesma.
De repente tenho medo de deixar de ser optimista, de deixar de ser a pessoa positiva que escolhi seguir como filosofia de vida, tenho medo …

Day #15 (Segunda 2010/04/12)
Não dormi nada, a dor de cabeça nunca passou … e o telefone tocou, o telefonema que tanto medo tive de receber, chegou …
Talvez um dia destes publique isto sem edição, assim a frio …

Homenagem na casa de Luanda

Abril 15, 2010

Esta não é minha, nem sei se algum dia serei capaz de fazer alguma. Ou talvez já tenha feito ou faça todos os dias…

Esta é de um amigo, um amigo que apareceu aqui no silêncio comentando e levou logo com umas respostas fortes, era um pouco “estrangeiro não tem que falar da nossa terra”, e com calma fui abrindo os olhos ao FBaiao, mostrando o ser inteligente, culto, e com jeito para as palavras que era o estrangeiro e que sim, sim, podia falar da nossa terra porque o fazia com respeito e verdade.
O debate ganhou vida, cresceu, e eu, o silêncio e atá a casa de Luanda, fomos todos ultrapassados pela amizade que cresceu entre o F. e o FBaiao.

Nessa altura, em que isto tudo começou, eu já sabia da doença, a nossa luta já tinha começado e sempre pensei que se um dia a perdessemos ficariam para sempre os bons debates – mais ou menos calorosos – em jeito de comentário postados aqui no silêncio, as palavras que tornam os seres imortais. E quando a saudade aperta, podemos sempre voltar no tempo e sorrir !!!

Esta não é a minha homenagem, esta é a homenagem do meu amigo F. ao meu pai, FBaião, na nossa Casa de Luanda.

Obrigada F, P, CHR, Menina de Angola, X, Migas, e tantos outros visitantes da casa, pelo carinho e amizade ao meu pai.
Kianda


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