Archive for Setembro, 2011

Uma resposta

Setembro 17, 2011

A pergunta mais estranha que me fizeram num encontro? Uma rapariga perguntou-me se eu tinha encontrado Deus. E eu, que sou um ser humano perturbado respondi: “Sim, está dentro das minhas calças.” O encontro não durou muito mais …
(Justin Timberlake)

E tudo se passa em outro mundo

Setembro 14, 2011

Clara sentava-se sempre no mesmo sítio, sempre no mesmo lugar. Ele chegava depois dela, sempre. E quase imediatamente procurava por ela. Os olhos…

Os olhares cruzavam-se … e … cruzavam-se! Nada, nem um sorriso, nem um sinal. Parecia triste, aquele olhar sempre lhe transmitiu tristeza.

Ela sempre achou que os olhos são o espelho da alma, mas aquela alma, ela não consegue ler. Não sabe o que fazer, não sabe o que ele quer que ela faça. Ali ficam, de tempos a tempos, mais uma vez, o olhar. Sempre o olhar, um olhar profundo, que quer transmitir alguma coisa, mas Clara não sabe o quê.

Fica presa ao momento, esperando pelo outro momento, que ela sabe que vai acontecer, mas que é igual ao outro, o olhar, os olhares, os olhos, e nada mais.

No último dia, Clara arriscou, resolveu sorrir, um sorriso tímido que cumprimentava, que não dizia muito, mas sempre aprendeu que um sorriso vale mil palavras, ou por vezes é igual ao botão direito do rato, quando não sabe mais o que fazer, sorria (clique no botão direito do rato, há sempre uma solução), e imediatamente os olhos dele brilharam, sempre os olhos, já não eram uns olhos tristes, havia um misto de felicidade e alívio. E sorriu, um sorriso que cumprimentava.

Que engraçado – pensou Clara, tão fácil comunicar com os olhos. Talvez cerca de 10 metros os separam e eles conseguem “falar”. Voltaram ao mesmo, de vez em quando, os olhos , sempre os olhos, encontram-se, mas agora mais brilhantes, agora, com mais intimidade, como se fossem amigos.

Nesse dia ela voltou para casa, como sempre voltava. Mas mais feliz. Ainda não sabe ler aquela alma, não sabe o que ele quer, não sabe o que ele quer transmitir, não sabe o que ele quer dizer, mas sabe que quando voltar aquele sitio, e se sentar naquele lugar, o lugar de sempre, ele chegará, depois dela, e ela sabe que ele a vai procurar com o olhar. E ela vai sorrir.

Tudo isto se passa em outro mundo.


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