Depois de pedir permissão à minha amiga para publicar a história que ela contou hoje num email que nos enviou, pensei em escrever a história da M., desta M. que podiam ser tantas outras, mas depois – talvez por falta de imaginação, talvez porque a história era isto e pouco mais do que isto – resolvi publicar o email.
Meninas,
Nesta minha vida de inúmeras viagens e vivências, reencontrei a M. … A M. era uma menina negra, filha de mãe surda-muda Jugoslava, que vivia na Macedónia. Nós, as estudantes africanas, na altura ajudámos muito a mãe da M.
Dei à M. uma bicicleta que tinha levado de Luanda…A mãe da M., levava sempre a M. ao nosso lar para ela poder socializar com alguém da sua cor … Na tentativa de ajudarmos a mãe a descobrir quem era pai da M., reunimos montes de fotos de estudantes africanos, e a mãe identificou o pai … pai esse que já se tinha ido embora para o seu país …
Fui-me embora para Luanda e só soube da M. há coisa de uns anos. Recebo uma carta dela pelo correio em Angola, agradecendo a bicicleta que lhe tinha dado e que gostava muito de me ver um dia … até mandou uma foto … anos mais tarde um grande amigo de lá disse-me tê-la visto com um bebé no colo … e nunca mais soube dela …Ontem a M. encontrou-me no facebook!!!! Casou com um Nigeriano, jogador de futebol … vive em Skopje e o marido está em Tirana a trabalhar … Tem 2 filhos!!! Lembra-se de todas nós e da atenção que lhe demos.
Sei que há muitas M. nos países do leste, e que até existe um movimento desses filhos, para procurar os seus pais…a M. então uma criança é hoje mulher, e foi a primeira que eu conheci fruto dessas relações entre estudantes e mulheres do leste.
Por causa da M., hoje estou particularmente feliz!!!
B.


