Archive for the ‘Momentos’ Category

Se faz algum sentido vem para aqui

Setembro 17, 2013

“Proibido adiar questões essenciais, por exemplo. E voltar as costas aos problemas, pois eles não desaparecem, só aumentam.

Obrigatório fazer primeiro, as primeiras coisas. E não ser reactivo, mas proactivo. Ah! E tentar viver “ao terceiro dia”, numa lógica de dar tempo ao tempo, para que certas pessoas, coisas ou acontecimentos se clarifiquem ou façam mais sentido.

Faz-me sentido.”

- roubado à Laurinda Alves – que cada vez mais me faz sentido ler

O Silêncio do Olhar

Setembro 9, 2013

Quando o olhar diz tudo e não diz nada. Quem és tu que incomoda o meu sono, que invade os meus sonhos mas nunca se junta.

Quem és tu que de repente não resiste e rompe o silêncio, por breves instantes, que pede colo nos momentos de maior carência para logo desaparecer para o lugar onde se esconde.

O teu olhar invade-me a alma, porque me pede sempre para chegar perto, sabendo nós que isso não é possível.

Hoje sei ler esse silêncio, hoje sabemos onde nos tocar, como nos tocar, sei o que gostas, quase conheco de cor cada pedacinho teu.

Até as birras, até essas, que me fazem sempre sorrir, eu conheço bem, para depois desapareceres, sem rasto, até a birra passar.

Guardo junto a mim o teu cheiro, o teu toque, quando por breves instantes, me puxas para perto de ti, para que o meu peito encoste ao teu enquanto suspiras, suspiro longo e profundo que traduz o teu desejo.

O olhar, o silêncio desse olhar, que me diz tudo, é o que guardo, porque meu amor, ambos sabemos que tu és um fantasma e eu uma pessoa normal.

E isso significa que vivemos em universos paralelos, e esses, só em sonhos, se tocam.

E tudo se passa em outro mundo

Setembro 14, 2011

Clara sentava-se sempre no mesmo sítio, sempre no mesmo lugar. Ele chegava depois dela, sempre. E quase imediatamente procurava por ela. Os olhos…

Os olhares cruzavam-se … e … cruzavam-se! Nada, nem um sorriso, nem um sinal. Parecia triste, aquele olhar sempre lhe transmitiu tristeza.

Ela sempre achou que os olhos são o espelho da alma, mas aquela alma, ela não consegue ler. Não sabe o que fazer, não sabe o que ele quer que ela faça. Ali ficam, de tempos a tempos, mais uma vez, o olhar. Sempre o olhar, um olhar profundo, que quer transmitir alguma coisa, mas Clara não sabe o quê.

Fica presa ao momento, esperando pelo outro momento, que ela sabe que vai acontecer, mas que é igual ao outro, o olhar, os olhares, os olhos, e nada mais.

No último dia, Clara arriscou, resolveu sorrir, um sorriso tímido que cumprimentava, que não dizia muito, mas sempre aprendeu que um sorriso vale mil palavras, ou por vezes é igual ao botão direito do rato, quando não sabe mais o que fazer, sorria (clique no botão direito do rato, há sempre uma solução), e imediatamente os olhos dele brilharam, sempre os olhos, já não eram uns olhos tristes, havia um misto de felicidade e alívio. E sorriu, um sorriso que cumprimentava.

Que engraçado – pensou Clara, tão fácil comunicar com os olhos. Talvez cerca de 10 metros os separam e eles conseguem “falar”. Voltaram ao mesmo, de vez em quando, os olhos , sempre os olhos, encontram-se, mas agora mais brilhantes, agora, com mais intimidade, como se fossem amigos.

Nesse dia ela voltou para casa, como sempre voltava. Mas mais feliz. Ainda não sabe ler aquela alma, não sabe o que ele quer, não sabe o que ele quer transmitir, não sabe o que ele quer dizer, mas sabe que quando voltar aquele sitio, e se sentar naquele lugar, o lugar de sempre, ele chegará, depois dela, e ela sabe que ele a vai procurar com o olhar. E ela vai sorrir.

Tudo isto se passa em outro mundo.

Me leva daqui que eu vou …

Outubro 27, 2010

CCB - Raíz da Alma - 20101024

Falar do Paulo não é fácil para mim. Simplesmente porque gosto demais dele para conseguir despir a pele de amiga, de família, de fã para falar do artista.

E neste momento percebo que passaram quase 20 anos, 20 anos em que tenho o privilégio de acompanhar de perto o crescimento e maturidade do Paulo. Neste momento ele ultrapassou-nos, saiu do nosso pequeno mundo, saiu do quintal lá de casa, cresceu !!!

Já não nos pertençe, deixou de ser nosso, agora é de todo o mundo, e paradoxalmente, nesse crescimento, nessa grandeza que hoje é medida pelo universo, não perdeu o traço que mais o caracteriza, a humildade.

Ele foi em busca da raiz e encontrou uma alma, mas continua em busca da paz, nesse caminho, que o faz crescer, que o fez grande, nós, os que sempre acreditamos, os que nunca largaram a mão, os que entendem, sempre, o momemto, estamos lado a lado, agora … e para sempre.

E depois destas palavras, pessoais, minhas, dizer que o Semba fez-se rei no quintal do CCB. Sempre pensei que gostava de ter estado no Elinga, sentada no chão, descalça a ouvir aquele Semba chorar a nossa história. Continuo a sentir essa saudade daquilo que não vivi, mas no CCB, descalcei, fechei os olhos e chorei.

Foi um dos shows mais bonitos, mais emocionantes e mais ricos, que vi, do Paulo !!! Quando o simples é belo, para mim, é quando conseguimos chegar o mais perto possível do ideal. E foi isso que o Paulo fez, naquela noite no CCB, fez, com uma simplicidade que o caracteriza, tudo ficar belo. Mais palavras para quê?!

Mas não estava sózinho, com o Paulo estiveram Tedy Nsingui – guitarra eléctrica, Pirica Duya, Tony Sá – violas, Mias Galheta – baixo acústico, Nanutu – sax soprano, Jorge Mulumba – hungu, puita e voz, Graça – bateria, Javier Carrilho, João Ferreira – percussões, Zizi Vasconcelos, Rita Damásio – coros

E nessa noite, o Semba fez-se atrevido …

só para ajudar na transição …

Agosto 25, 2010

Foi-me enviado hoje … :)

“Tome a mesma mulher aos 20 e aos 40 anos.

No segundo momento ela será umas sete ou oito vezes mais interessante, sedutora e irresistível do que no primeiro. Ela perde o frescor juvenil, é verdade. Mas também o ar inseguro de quem ainda não sabe direito o que quer da vida, de si mesma, de um homem.

Não sustenta mais aquele ar ingênuo, uma característica sexy da mulher de 20. Só que é compensado por outros atributos encantadores de que se reveste a mulher de 40. Como se conhece melhor, ela é muito mais autêntica, centrada, certeira no trato consigo mesma e com seu homem.

Aos 40, a mulher tem uma relação mais saudável com o próprio corpo e com seu cheiro cíclico. Não briga mais com nada disso. Na verdade, ela quer brigar o menos possível. Está interessada em absorver do mundo o que lhe parecer justo e útil, ignorando o que for feio e baixo-astral. Quer é ser feliz!

Se o seu homem não gostar do jeito que ela é, que vá procurar outra. Ela só quer quem a mereça. Aos 40 anos, a mulher sabe se vestir. Domina a arte de valorizar os pontos fortes e disfarçar o que não interessa mostrar. Sabe escolher sapatos, tecidos e decotes, maquiagem e corte de cabelo.

Gasta mais porque tem mais dinheiro. Mas, sobretudo, gasta melhor. E tem gestos mais delicados e elegantes.Aos 40, ela carrega um olhar muito mais matador quando interessa matar;finge indiferença com mais competência quando interessa repelir.

Ela não é mais bobinha. Não que fique menos inconstante. Mulher que é mulher, se pudesse, não vestiria duas vezes a mesma roupa nem acordaria dois dias seguidos com o mesmo humor.

Mas, aos 40, ela já sabe lidar melhor com este aspecto peculiar da condição feminina. E poupa (exceto quando não quer) seu homem desses altos e baixos hormonais que aos 20 a atingiam – e quem mais estiver por perto – irremediavelmente.

Aos 20, a mulher tem espinhas. Aos 40, tem pintas, encantadoras trilhas de pintas. Que só sabem mesmo onde terminam uns poucos e sortudos escolhidos. Sim, aos 20 a mulher é escolhida.

Aos 40, é ela quem escolhe. E não veste mais calcinhas que não lhe favorecem. Só usa lingeries com altíssimo poder de fogo. Também aprende a se perfumar na dose certa, com a fragrância exata.

A mulher aos 40, mais do que aos 20, cheira bem, dá gosto de olhar, captura os sentidos, provoca fome. Aos 40, ela é mais natural, sábia e serena. Menos ansiosa, menos estabanada. Até seus dentes parecem mais claros.

Seus lábios, mais reluzentes. Sua saliva, mais potável. E o brilho da pele não é o da oleosidade dos 20 anos, mas pura luminosidade. Aos 20, ela rói unhas. Aos 40, constrói para si mãos plásticas e perfeitas.

Ainda desenvolve um toque ao mesmo tempo firme e suave. Ocorre algo parecido com os pés, que atingem uma exatidão estética insuperável. Acontece também alguma coisa com os cílios, o desenho das sobrancelhas.

O jeito de olhar fica mais glamuroso, mais sexualmente arguto. Aos 40, quando ousa no que quer que seja, a mulher costuma acertar em cheio. No jogo com os homens, já aprendeu a atuar no contra-ataque. Quando dá o bote, é para liquidar a fatura.

Ela sabe dominar seu parceiro sem que ele se sinta dominado. Mostra sua força na hora certa e de modo sutil. Não para exibir poder, mas para resolver tudo a seu favor antes de chegar o ponto de precisar exibi-lo. Consegue o que pretende sem confrontos inúteis.

Sabiamente, goza das prerrogativas da condição feminina sem engolir sapos supostamente decorrentes do fato de ser mulher. Se você, anda preocupada porque não tem mais 20 anos – ou porque ainda tem mas percebeu que eles não vão durar para sempre – fique tranqüila.

É precisamente aos 40 que o jogo começa a ficar bom!”

(Desconhecido)

Homenagem na casa de Luanda

Abril 15, 2010

Esta não é minha, nem sei se algum dia serei capaz de fazer alguma. Ou talvez já tenha feito ou faça todos os dias…

Esta é de um amigo, um amigo que apareceu aqui no silêncio comentando e levou logo com umas respostas fortes, era um pouco “estrangeiro não tem que falar da nossa terra”, e com calma fui abrindo os olhos ao FBaiao, mostrando o ser inteligente, culto, e com jeito para as palavras que era o estrangeiro e que sim, sim, podia falar da nossa terra porque o fazia com respeito e verdade.
O debate ganhou vida, cresceu, e eu, o silêncio e atá a casa de Luanda, fomos todos ultrapassados pela amizade que cresceu entre o F. e o FBaiao.

Nessa altura, em que isto tudo começou, eu já sabia da doença, a nossa luta já tinha começado e sempre pensei que se um dia a perdessemos ficariam para sempre os bons debates – mais ou menos calorosos – em jeito de comentário postados aqui no silêncio, as palavras que tornam os seres imortais. E quando a saudade aperta, podemos sempre voltar no tempo e sorrir !!!

Esta não é a minha homenagem, esta é a homenagem do meu amigo F. ao meu pai, FBaião, na nossa Casa de Luanda.

Obrigada F, P, CHR, Menina de Angola, X, Migas, e tantos outros visitantes da casa, pelo carinho e amizade ao meu pai.
Kianda

A Kianda foi à terra

Março 4, 2010

E mergulhou nas suas águas e era tudo o que precisava. Incrível como um mergulho na ilha conseguiu carregar todas as minhas baterias. Mas, no dia seguinte havia calema. Esta contradição fez-me pensar, em tudo que é contraditório na minha terra, ou no todo que é uma contradição.

Ao olhar para o prédio da lagoa no Kinaxixi, pensei, como ?! Como existe ainda esta torre de babel nesta cidade que todos os Angolanos dizem com orgulho, viste? foste ali? viste a torre na baixa? essa?, essa não é nada, e a outra?! aquilo é que é, já viste a nossa cidade, parece o Dubai, melhor, só cresce,

… não meus caros, não !!! O mar, o mar da ilha é o que me faz suportar o orgulho em ser angolana.

Não fui com um olhar crítico, simplesmente fui. Precisava, precisava de cheirar as minhas pessoas, as minhas comidas, a minha terra, o meu mar e fui. Foi carnal, foi da alma mesmo, e por isso, foi muito bom. Pairei um bocadinho, nunca pus os pés assentes na terra, porque sabia que assim iria sofrer e eu não queria sofrer.

Já passou uma semana e a energia recolhida foi baixando, já dá para olhar para trás e lembrar os rostos, as pessoas. Estão cansadas, será que elas têm noção que estão cansadas? Que precisam parar de pairar, precisam de pensar mais, viver mais, para descansar … ou, talvez não ! Talvez este seja o segredo que eu nunca descobri.

A Kianda foi à terra, cheirou a sua gente e voltou serena, com as certezas reforçadas e as energias carregadas.

Chama-se Saudade

Março 4, 2010

Quando vindo não se sabe de onde se pensa numa pessoa e se resolve dar um oi, em forma do que se quiser, nos tempos modernos, costuma ser mensagem escrita ou mail, e falo sobre o quê?! Sei lá… ah! isto serve, a isto, a este sentimento, chama-se saudade.

Lá fora

Fevereiro 4, 2010

Kianda 2010-02-03

 

E do céu caem gotas … e gotas … e gotas … que somadas a tantas outras escondem a lua …

Assim de repente – 2000 – 2009

Dezembro 28, 2009

A figura ?! Michael Jackson sem dúvidas. Porque era/é o rei da pop, não há igual. Porque morreu, mas antes de morrer esgotou 50 espetáculos em Londres em horas que nunca chegaram a acontecer, This is it !!!

Presidente Barack Obama, o mundo mudou. Usain Bolt, Popov ainda bateu recordes em 2000, Ian Thorpe fez-me vibrar, mas sem dúvida, Michael Phelps é o meu eleito.

Os atentados às torres gémeas mudaram também o mundo, a maneira de viajar, o medo do desconhecido e das culturas diferentes das nossas. O enforcamento de Saddam Hussein. O Katrina.

Jorge Amado, Marlon Brando, Ray Charles, Raul Solnado, Michael Jackson, ícones, meus, que desapareceram.

E assim de repente … perdi a minha mãe


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