
CCB - Raíz da Alma - 20101024
Falar do Paulo não é fácil para mim. Simplesmente porque gosto demais dele para conseguir despir a pele de amiga, de família, de fã para falar do artista.
E neste momento percebo que passaram quase 20 anos, 20 anos em que tenho o privilégio de acompanhar de perto o crescimento e maturidade do Paulo. Neste momento ele ultrapassou-nos, saiu do nosso pequeno mundo, saiu do quintal lá de casa, cresceu !!!
Já não nos pertençe, deixou de ser nosso, agora é de todo o mundo, e paradoxalmente, nesse crescimento, nessa grandeza que hoje é medida pelo universo, não perdeu o traço que mais o caracteriza, a humildade.
Ele foi em busca da raiz e encontrou uma alma, mas continua em busca da paz, nesse caminho, que o faz crescer, que o fez grande, nós, os que sempre acreditamos, os que nunca largaram a mão, os que entendem, sempre, o momemto, estamos lado a lado, agora … e para sempre.
E depois destas palavras, pessoais, minhas, dizer que o Semba fez-se rei no quintal do CCB. Sempre pensei que gostava de ter estado no Elinga, sentada no chão, descalça a ouvir aquele Semba chorar a nossa história. Continuo a sentir essa saudade daquilo que não vivi, mas no CCB, descalcei, fechei os olhos e chorei.
Foi um dos shows mais bonitos, mais emocionantes e mais ricos, que vi, do Paulo !!! Quando o simples é belo, para mim, é quando conseguimos chegar o mais perto possível do ideal. E foi isso que o Paulo fez, naquela noite no CCB, fez, com uma simplicidade que o caracteriza, tudo ficar belo. Mais palavras para quê?!
Mas não estava sózinho, com o Paulo estiveram Tedy Nsingui – guitarra eléctrica, Pirica Duya, Tony Sá – violas, Mias Galheta – baixo acústico, Nanutu – sax soprano, Jorge Mulumba – hungu, puita e voz, Graça – bateria, Javier Carrilho, João Ferreira – percussões, Zizi Vasconcelos, Rita Damásio – coros
E nessa noite, o Semba fez-se atrevido …