Archive for the ‘Poesia’ Category

Agostinho Neto por Chinua Achebe

Fevereiro 24, 2011

Após o texto de Mia Couto onde ele citava uma parte de uma carta escrita por Chinua Achebe a Agostinho Neto que dizia “O riso sinistro dos reis idiotas de África que, da varanda dos seus palácios de ouro, contemplam a chacina dos seus próprios povos”, que eu achei pertinente e “”postei” no meu mural do Fabebook, levantou-se a questão, e bem, pelo meu amigo Abílio, qual a origem desta citação.

Agora ele encontrou, encontou a origem, e aqui fica:

Agostinho, were you no more
Than the middle one favored by fortune
In children’s riddle; Kwame
Striding ahead to accost
Demons; behind you a laggard third
As yet unnamed, of twisted fingers?

No! Your secure strides
Were hard earned. Your feet
Learned their fierce balance
In violent slopes of humiliation;
Your delicate hands, patiently
Groomed for finest incisions,
Were commandeered brusquely to kill,
Your gentle voice to battle-cry.

Perhaps your family and friends
Knew a merry flash cracking the gloom
We see in pictures but I prefer
And will keep that sorrowful legend.
For I have seen how
Half a millennium of alien rape
And murder can stamp a smile
On the vacant face of the fool,
The sinister grin of Africa’s idiot-kings
Who oversee in obscene palaces of gold
The butchery of their own people.

Neto, I sing your passing, I,
Timid requisitioner of your vast
Armory’s most congenial supply.
What shall I sing? A dirge answering
The gloom? No, I will sing tearful songs
Of joy; I will celebrate
The man who rode a trinity
Of awesome fates to the cause
Of our trampled race!
Thou Healer, Soldier and Poet!

Até recebo umas coisas bonitas :-D

Abril 15, 2009

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

[Fernando Pessoa]

Gostei!!! Muito …

Solidão

Abril 3, 2009

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo…
Isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar…
Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos…
Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente…
Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado…
Isto é circunstância!

Solidão é muito mais do que isto …
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.

[Fátima Irene Pinto]

Recebido por email, como se fosse da autoria de Chico Buarque, ele está publicado em dois livros Ecos da Alma e Palavras Para Entorpecer o Coração de Fátima Irene Pinto.

A Companheira

Julho 30, 2008

Ahhhh, esqueci, a música ali embaixo é “A Companheira” – Luiz Tatit

eu ia saindo, ela estava ali
no portão da frente
ia até o bar, ela quis ir junto
“tudo bem”, eu disse
ela ficou super contente
falava bastante,
o que não faltava era assunto
sempre ao meu lado,
não se afastava um segundo
uma companheira que ia a fundo

onde eu ia, ela ia
onde olhava, ela estava
quando eu ria, ela ria
não falhava

noa dia seguinte ela estava ali
no portão da frente
ia trabalhar, ela quis ir junto
avisei que lá o pessoal era muito exigente
ela nem se abalou
“o que eu não souber eu pergunto”
e lançou na hora mais um argumento profundo
que iria comigo até o fim do mundo

me esperava no portão
me encontrava, dava a mão
me chateava, sim ou não?
não

de repente a vida ganhou sentido
companheira assim nunca tinha tido
o que fica sempre é uma coisa estranha
é companheira que não acompanha

isso pra mim é felicidade
achar alguém assim na cidade
como uma letra pra melodia
fica do lado, faz companhia

pensava nisso quando ela ali
no portão da frente
me viu pensando, quis pensar junto
“pensar é um ato tão particular do indivíduo”
e ela, na hora “particular, é? duvido”
e como de fato eu não tinha lá muita certeza
entrei na dela, senti firmeza

eu pensava até um ponto
ela entrava sem confronto
eu fazia o contraponto
e pronto

pensar assim virou uma arte
uma canção feita em parceria
primeira parte, segunda parte
volta o refrão e acabou a teoria

pensamos muito por toda a tarde
eu começava, ela prosseguia
chegamos mesmo, modesta à parte
a uma pequena filosofia

foi nessa noite que bem ali
no portão da frente
eu fiquei triste, ela ficou junto
e a melancolia foi tomando conta da gente
desintegrados, éramos nada em conjunto
quem nos olhava só via dois vagabundos
andando assim meio moribundos

eu tombava numa esquina
ela caía por cima
um coitado e uma dama
dois na lama

mas durou pouco, foi só uma noite
e felizmente
eu sarei logo, ela sarou junto
e a euforia bateu em cheio na gente
sentíamos ter toda felicidade do mundo
olhava a cidade e achava a coisa mais linda
e ela achava mais linda ainda

eu fazia uma poesia
ela lia, declamava
qualquer coisa que eu escrevia
ela amava

isso também durou só um dia
chegou a noite acabou a alegria
voltou a fria realidade
aquela coisa bem na metade

mas nunca a metade foi tão inteira
uma medida que se supera
metade ela era companheira
outra metade, era eu que era

nunca a metade foi tão inteira
uma medida que se supera
metade ela era companheira
outra metade, era eu que era

Sempre para Sempre

Maio 16, 2008

Há amor amigo
Amor rebelde
Amor antigo
Amor de pele

Há amor tão longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante

Há amor de inverno
Amor de verão
Amor que rouba
Como um ladrão

Há amor passageiro
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado

Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue bem quente

Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca tocado

Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tão próximo
Amor de incenso

Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada mas nada
Te faz contente me faz contente

Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido

Há amor eterno
Sem nunca talvez
Amor tão certo
Que acaba de vez

[Miguel A. Majer]

Só de Sacanagem …

Setembro 19, 2007

Mudando o sotaque, mudando alguns nomes e nacionalidades e poderia ter sido eu a escrever … é o Brasil , mas pode ser tanta coisa

” Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.


Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, “Esse apontador não é seu, minha filha”. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.

Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.

Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba” e vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”

Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal!


Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!”


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