Adeus à hora da largada

Não sei viver sem música, a minha vida é acompanhada por uma banda sonora que me anima e me entristece conforme o momento. Não tenho bom ouvido, desafino duma maneira que até dói (mas no peito dos desafinados também bate um coração) e a minha maior frustação na vida é não saber cantar e por isso vou usando o dom que a vida deu a outros para meu belo prazer e sem remorsos. Hoje quem me “acompanhou” foi o Rui Mingas com “Memória”, o seu último trabalho e que eu recomendo, adorei, acho que está um excelente trabalho com alguns arranjos novos em algumas músicas antigas mas também alguns temas novos … Mas o que me ficou a ecoar no ouvido, nesta hora em que estou quase de partida, foi a música “Adeus à hora da largada”, poema de Agostinho Neto

… somos os teus filhos
dos bairros de pretos
além aonde não chega a luz elétrica
os homens bêbedos a cair
abandonados ao ritmo dum batuque de morte
teus filhos
com fome
com sede
com vergonha de te chamarmos Mãe
com medo de atravessar as ruas
com medo dos homens
nós mesmos …

e sentir que passados tantos anos, tantos , o poema parece fazer ainda todo o sentido … passaram 31 anos de Independência e 5 anos de uma paz efectiva … passou muito tempo … até quando??? Teus filhos terão vergonha de te chamar mãe ?

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5 Respostas to “Adeus à hora da largada”

  1. Says:

    Pois é, mas mesmo assim é a Nossa Terra Mãe, mesmo para os que muitas vezes a considerem tão madrasta (que me desculpem as boas madrastas).

    Esta mãe cujos filhos tanto se orgulham de ser seus, que enchem o peito para dizer “EU SOU DE ANGOLA”.

    Não, claro que não, os filhos jamais terão vergonha de a chamarem Mãe, talvez Ela se envergonhe ter parido alguns dos seus filhos.

  2. Paulo Russo Says:

    So me faltava isto…agora para alem de emigrante vai virar reacionária

  3. kianda Says:

    ehehehehe … os filhos da terra que estão na diaspora são assim … se calhar é saudades … será por isso que não nos “deixam” votar ???

  4. Ndongo Says:

    Nao só de expressao portuguesa, mais estou a procura dos textes da literatura post-colonial (e mesmo durante a colonisacao) angolana. Tenho esperanca que podera ajudar-me. Quero ver a evolucao nas ideas, qual é o lugar da cultura e a influência dos differentes ventes literares.

    PS. Eu falo Frances mais gostaria os texto em lingua original (Português)

  5. leonela Says:

    é linda a história de D. ANTÓNIO AGOSTIHO NETO

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