Parabéns Joaquim Chissano …

O ex-Presidente de Moçambique venceu ontem o prémio Mo Ibrahim de Boa Governação, no valor de 5 milhões de USD. Este prémio é atribuído pela Fundação com o mesmo nome, anualmente, e pretende premiar chefes de Estado ou Governo de Países da Africa Austral que não exercam há pelo menos 3 anos e se destacaram na liderança política.

Mais uma vez, Moçambique 1 – Angola 0 … mas também, pensando bem, o prémio será atribuído todos os anos, a um ex-chefe de estado Africano, e … nós ainda não temos nenhum ex-Presidente … 

Relembro que Joaquim Chissano saiu do cargo de Presidente, voluntariamente, em 2005, demonstrando que o processo democrático é mais importante, como referiu ontem Kofi Annan … coisa rara no nosso Continente, digo eu.

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12 Respostas to “Parabéns Joaquim Chissano …”

  1. Paulo Says:

    Ya todo o moçambicano ficou orgulhoso com este prémio e, modéstia à parte [na minha qualidade de moçambicano], ele mereceu.
    Os moçambicanos, que antes criticavam-no pela sua atitude do chamado “deixa-andar” e pela sua passividade em excesso, hoje em dia têm saudades da sua presidência, porque este guebuza não tem mandado uma para a caixa.
    Ora é o paiól a rebentar, a criminalidade, corrupção, burocracia, and so on.
    Uma governação toda confusa. Coisa que com o titio chissano não acontecia, pelo menos de forma tão evidente.
    Acima de tudo, o povão associa-o ao homem que trouxe a paz. Qualquer moçambicano vai-te dizer que “O chissano, é muito bom homem. Trouxe a paz para nós!”.
    Mas também não foram só rosas. A governação de Chissano ficou marcada pelos assassinatos de Siba-Siba Macuácua e Carlos Cardoso, um economista e jornalista moçambicanos que pelos vistos conseguiram incomodar os tubarões e pagaram por isso com a sua vida.
    Siba-Siba foi atirado do terraço do prédio onde funcionava o banco em que trabalhava, e Cardoso foi crivado de balas quando saia da redacção do seu jornal, ao final de tarde de um dia de semana e em plena cidade de Maputo.
    Até hoje não se sabe quem mandou assassiná-los, havendo alguns rumores de que um dos filhos de chissano estaria por detrás da morte de Cardoso.
    O certo é que a Mafia moçambicana não brinca em serviço. Criminalidade organizada em acção. Estes já não pilha-galinhas. Estes vestem fato e andam de mercedes, e aí daqueles que ousem sequer tentar pôr isto em causa.
    Mas enfim… já chega desta lição de história moçambicana.
    Só não percebi o comentário “Mais uma vez, Moçambique 1 – Angola 0”.
    Mais uma vez? E porquê?
    Vocês são o país que está na moda pah, só se fala de Angola, do seu grande crescimento económico, da potência regional que vai ser, o vosso desporto está em alta [tal como o petróleo, para vosso contentamento eheh], portanto devia era ser uma goleada da vossa parte.

    Moçambique hoye!

  2. SK Says:

    Bem, Essa do Moçambique 1 – Angola 0 é “reacção” pura, reacção tipo “conspiração” na pastelaria suiça no Rossio ou Praça da Figueira, sei lá. Para quem não sabe o Presidente Chissano beneficiou toda a familia no seu consulado inclusive um dos seus filhos é dono da maior operadora Movel de Moçambique. A unica diferença em relação a Angola foi que ele dirigiu, todos os anos que la esteve, um país pobre e que nunca suscitou interesse das grandes potencias mundiais e como para essas potencias interessa, volta volta e meia, potenciar um “Pretito” para mostrar ao mundo que são muito “pela igualdade das raças” (fingidos) la ofereceram 5M de dolares ao Joaquim que, pelas minhas contas, deve ter para ai 10 a 15 vezes mais numa conta bancaria algures num “apetitoso” paraiso fiscal. Tudo isso nao tira o respeito que tenho por ele e por isso Dou-lhe os Parabens na mesma até prque os governos Europeus roubam muito mais que os Africanos só que o fazem de forma discreta e trabalhando em equipa enquanto que os Africanos continuam a ser individualistas e a agir sem partilhar o que provoca os relatorios nas “Globais Witnesses” e coisas do genero. Puro despeito. Sinceramente meus Senhores !!!

  3. paulo Says:

    SK,

    penso que, se é verdade que chissano não é nenhum santo, também é exagero dizer que o prémio se deve simplesmente a quererem “potenciar um “Pretito” para mostrar ao mundo que são muito “pela igualdade das raças” [estou a citá-lo].
    Para começar, o filho dele não é dono de nenhuma operadora móvel, mal seria se Moçambique funcionasse assim.
    A MCEL, que é a maior operadora móvel de Moçambique, é detida na sua maioria pela TDM (Telecomunicações Móveis de Moçambique) e uma parcela é detida por uma empresa alemã de telecomunicações (se não estou em erro, chama-se DETECOM).
    A outra operadora móvel a funcionar é a VODACOM, com capitais maioritariamente sul-africanos.
    Portanto, não sei onde foi buscar essa ideia de que o filho de chissano é dono da MCEL. Na melhor das hipóteses, acredito que ele ocupe lá um cargo de gestão [coisa de que nunca ouvi falar, mas até pode suceder], coisa “normal” nos nossos países, em que os filhos das estruturas conseguem colocação fácil em altos cargos [Angola é paradigmática com isto].
    Daí a dizer-se que é dono da empresa, vai um longo passo.
    Quanto ao seu mérito, embora o homem tenha os seus defeitos, teve visão e diplomacia suficiente para proceder a alterações de fundo no país. Acabou com uma guerra fratricida e devastadora da economia de um país. Há quem garanta que com Samora ainda hoje estávamos em guerra, dado o seu espírito teimoso e belicista.
    Passou para uma economia de mercado, que com todos os defeitos que possa ter, reanimou um país que chegou a ser considerado oficialmente o país mais pobre do mundo.
    Importa pegar na questão do país pobre, porque como você diz e muito bem, Moçambique não tem os recursos que Angola tem e, no entanto, soube levantar-se e hoje é visto como um exemplo para África.
    O que impedia Chissano, se não passasse de mais um líder africano, de transformar Moçambique numa guiné-bissau? um país sem recursos e devastado pela guerra, sem o tal interesse das grandes potencias mundiais que você refere, o que o impedia de atirar o país para o desgoverno?
    Por este facto, dou ainda mais crédito aos homem. Todos os vanaços que Moçambique tem registado, e garanto-lhe com conhecimento de causa que não são poucos, advêm de uma política sustentada. Ainda com muita corrupção e burocracia pelo meio, mas registando níveis de desenvolvimento muito bons.
    Isto só dá ainda mais mérito ao homem, porque em angola há dinheiro para construir estradas, pontes, infra-estruturas várias, enquanto que em Moçambique não há.
    Daí a tal história do país ser o bom aluno do FMI e do BAD. Mas para se ser bom aluno há que estudar, e isso o Chissano fez.
    Não tiremos mérito ao homem.
    Para finalizar, importa recordar que quem instituiu este prémio foi um africano (um milionário sudanês) e quem anunciou o resultado foi um africano (ganês Kofi Annan), portanto essa teoria de que o prémio foi uma “mera prenda das grandes potências mundiais a um pretito” não passa de verborreia.
    Desculpe mas é a verdade.
    Fico à espera que me diga qual a potência mundial que está por detrás da fundação mo ibrahim.

  4. miguel Says:

    Confesso alguma surpresa pela atribuição do prémio. Terá Chissano saído voluntariamente do poder? Ou acedido à saída mediante um processo devidamente negociado e acautelado? A política moçambicana, embora não tão sofisticada como a angolana, também tem os seus quês e não são poucos… Tenho, apesar de tudo, alguma admiração por Chissano. Soube fazer a travessia, apesar das tempestades todas… Mas no fim, acabou por ser ele liquidado pela linha dura do partido personificada em Guebuza. Quando se esperava que a ala de Graça Machel estivesse a ganhar massa crítica, vários escândalos expondo excelentes ministros de Chissano, em negociações secretas, fragilizaram o seu poder. De igual modo, os escândalos associados à sua família, fragilizaram-no ainda mais. Quem já não se lembra da detenção do seu filho na África do Sul, numa situação extremamente delicada?

    As mortes em Maputo, não começaram com Macuácuá e nem sequer terminaram com Carlos Cardoso… O camarada Paulo ter-se-á esquecido de mencionar o Administrador do BIM, espero que não tenha sido pelo facto de não ser moçambicano… Ou acreditará o Paulo que ele foi abatido por acaso e para lhe roubarem a carteira?

    Quanto à abertura de Moçambique, embora seja notória, acabou por ser imposta e Chissano sem grandes alternativas. Felizmente, aceitou e levou Moçambique à mudança.

    Já se quisermos falar de eleições, penso que não valerá a pena pois não?

  5. kianda Says:

    Respeito as vossas opiniões porque não tenho conhecimento suficiente sobre Moçambique, história e política, para entrar neste debate. Vou sabendo pelos media, que como sabemos “puxam” para o lado onde estão inclinados e por alguns amigos Moçambicanos que tenho.
    Sinto um carinho grande por Chissano e olhando para o Continente Africano não consigo imaginar um leque muito grande de ex-dirigentes que podessem ter ganho o prémio Mo Ibrahim, prémio este que na minha singela opinião, é carregado de boas intenções, mas utópico.
    Imposta ou não acho que Chissano deixou Moçambique no bom caminho,

  6. miguel Says:

    kianda, sem dúvida nenhuma. Pelo menos isso 🙂

  7. Paulo Says:

    Caro Miguel,

    a circunstância de chissano ter saido voluntariamente ou não do poder, penso que pouco importa para o caso. Não será isso que tirará o mérito ao homem.
    Substituir Samora na presidência, herdando um país quase em colapso, deve pesar nos ombros.
    Contudo, Chissano aguentou-se bem e soube levar o barco a bom porto. Jogadas de bastidores na política acontecem em todo o lado, a toda a hora. Não me parece que uma suposta decisão de afastamento interno de chissano, por parte dos seus camaradas da FRELIMO, seja caso virgem no mundo.
    Veja o ANC actualmente com o Zuma e o Sewale.
    Além que, essas análises valem o que valem, ou seja, nunca ficou provado que efectivamente chissano tenha sido obrigado a sair, e não tenha saido voluntariamente.
    Essa alegada liquidação por parte da linha dura do partido, pressupõe uma ruptura com o governo de chissano, suponho eu?
    No entanto, parte significativa do governo de chissano manteve-se com guebuza.
    A começar por luísa diogo, simplesmente a 1ª ministra.
    Passando por tobias daí, ministro da defesa, ainda o aiuba cuereneia se não estou em erro, e mais um ou outro.
    Portanto, trata-se de meras suposições, que valem o que valem e que, repito, mesmo confirmando-se, não retiram o mérito a chissano pelo prémio.
    Quanto à sua surpresa, vamos lá ver. O prémio é atribuido a um ex-chefe de estado que tenha abandonado voluntariamente o poder e tenha contribuido para o desenvolvimento do país [em traços gerais, acho que é mais ou menos isto]. Nestes termos, diga-me lá quem em África reúne perfil para ganhar? Excluindo o mandela, que já ganhou a liga dos campeões [nobel], portanto estes prémios menores já não são para ele, não me lembro de mais ninguém.
    Os poucos que sairam voluntariamente [que os há], não tiveram de lidar com um país à beira do colapso e reerguido a coisa. Estamos a falar eventualmente do nujoma na namíbia, daniel arap moi no quénia, o chiluba na zambia, benjamin mkapa da tanzania, e pouco mais. Sem querer puxar a brasa à minha sardinha, acha sinceramente que um destes ex-presidentes cabia melhor no espírito do prémio do que chissano? não me parece. Além de que o homem tem agora estado envolvido em missões de paz como enviado especial da onu, tem andado pelo mundo fora em conferências sobre implementação da paz, combate à pobreza, etc. portanto ele tem feito o seu trabalho de casa.
    Tem razão quando diz que os escândalos do filho mais velho [e não da família] o fragilizaram. Nem tanto episódio que narra, mas acima de tudo a assumpção popular de que nyimpine chissano foi o mandante do assassinato de carlos cardoso e siba-siba macuacua.
    Mas quem me garante que não terá sido o próprio, ciente da sua fragilidade, que decidiu sair?
    Estes assassinatos não começaram com estes dois, tem razão. Mas tratam-se dos 2 casos mais simbólicos, se calhar pela visibilidade e ao combate visível que os 2 estavam a fazer contra os vícios instalados.
    Tal como omiti lima félix, por mero esquecimento e não porque era português, também omiti pedro langa e josé mascarenhas, moçambicanos.
    A abertura de moçambique, obviamente forçada, até pela total falta de alternativas para sair do marasmo em que o país se encontrava, não retira mérito à condução desse processo protagonizada por chissano.
    Para se aparecer no quadro de honra dos fmi’s, bad’s e bm’s é preciso igualmente ter a lição bem estudada. E isso chissano e seus pares souberam e estão a saber fazer a coisa.
    E o país tem desenvolvido. Ainda com muita corrupção, burocracia, pobreza, malária e sida a matarem, criminalidade, etc. etc. Mas não tem estado parado.
    Saia de Maputo de carro e vá em direcção à África do Sul, ou comece a subir para norte. Como estava aquela estrada há 10 anos atrás, depois de ter acabado a guerra, e como está agora. Veja a mozal, a refinaria que vai ser construida em nampula, a fábrica de tabaco em tete, as areias pesadas em moma, o gás de temane, o carvão em moatize, moçambique cada vez mais a tornar-se um destino turístico [já não só para os boers] etc.
    Claro que há quem diga que isto não é desenvolvimento, que não é assim que a coisa vai lá, e que quem lucra com isso na prática são as elites etc. Não sei, essa análise económica não é a minha praia.
    Claro que muita coisa ainda vai [muito] mal, mas depois lembro-me de um zimbabwe e penso que, de facto, moçambique tem tentado fazer a coisa minimamente como deve ser.
    A política angolana mais sofisticada que a moçambicana? Se for no sentido de manipulada, adulterada, estou plenamente de acordo.
    Angola vive um [não declarado] regime totalitário, com um verdadeiro culto ao partido [único] e seu líder [vitalício].
    Moçambique, ao invés, já pode arrogar-se a dizer que possui uma, ainda diminuta. mas razoável experiência eleitoral e democrática.
    O município da beira, angoche e ilha de moçambique, são liderados pela renamo, que aí ganhou as autárquicas. Deviz Simango, presidente do município da beira, foi inclusivamente e muito recentemente galardoado com na áfrica do sul com o prémio de autarca do ano em áfrica [ou coisa do género].
    O processo democrático em moçambique tem sabido como gatinhar, ao contrário de angola, onde é pura e simplesmente inexistente.
    Se estará a insinuar eventuais fraudes, é possível. Muito embora, como deve saber, a RENAMO e o seu líder ganharam em 6 das 11 províncias do país nas presidenciais e legislativas, mas tiveram azar pelo facto de se tratarem de províncias com menor expressão eleitoral. Também ganharam os municípios que acima referi, pelo que a tese da fraude, muito apregoada pela renamo, também já não pega.
    Acima de tudo, e aqui aceito que, pelo que vejo em angola, a coisa é diferente, moçambique não possui oposição. Existe a frelimo, e o resto é paisagem. A renamo, com excepção de alguns casos, não possui quadros que possam transmitir uma mensagem de competência. E o seu líder dhlakama, bem esse, mais não sabe fazer do que volta e meia ameaçar que volta para maringué.
    Sem uma oposição credível, a coisa fica difícil.
    Parece-me que neste aspecto angola possui outra realidade e com mais pluralidade de vozes representativas [unita, fnla, etc].

    Abraço

  8. miguel Says:

    Paulo,

    Isto daria aqui uma discussão que nunca mais acabava lol. Permita-me apenas dizer-lhe que vivi em Moçambique entre os anos de 1995 (início) e 2001 (pós 9.11), de norte a sul, sempre junto ao litoral, do Rovuma ao Maputo como dizia o grande companheiro Waheua Ripuah. Atravessei Moçambique por todos os corredores, em direcção ao hinterland. Todo ele. Vivi, in loco, as eleições legislativas e presidenciais de 1999, fora da capital. E fico-me por aqui porque não quero dizer mais.

    De qualquer modo, como já o disse, admiro Chissano num contexto mais lato. Se merece o prémio ou não, já é outra questão. Claro que Moçambique fica bem em qualquer partitura e ainda bem que assim é. Ficará para sempre no meu coração, por muitas razões.

    Não comungo da sua opinião sobre a Renamo. Mas isso seria uma outra discussão. Independentemente de entender que a Frelimo poderá, de facto, levar o país a outro patamar… Mas seria a Frelimo de Chissano/Graça não a de Guebuza…

    Quanto a democracia, não sei se Moçambique estará mesmo em condições de se pôr em bicos dos pés.

    E o Tomás Salomão? Por onde anda? (pura retórica, a SADC deve ser bem mais apetitosa que uma pasta ministerial…)

    Abraço

  9. miguel Says:

    Correcção: Wehia Ripua (o nome dele sempre foi muito difícil de escrever…)

  10. kianda Says:

    Volto a dizer que não tenho conhecimento, nenhum, comparado com o vosso é zero , pra poder entrar neste debate, mas gosto de pessoas que defendem as opiniões com bons argumentos e boas análises, sejam correctas ou não, sabem defender as suas opiniões. Apesar de extensa, gostei da defesa de opinião do Paulo, e concordo com algumas coisas.

  11. miguel Says:

    kianda, sem dúvida. Mais não posso dizer sob pena de expôr-me e a pessoas as quais não quero expôr.

  12. helder carlos mabunda Says:

    a resposta pode ser confusa porque o senhor Guebas Governa bem e o senhor chissano governou com o povo queria ambos defende os mesmos interesses desenvolvimento de mocambique

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