Por um mundo melhor

Este é o lema do RockinRio, e realmente por um mundo melhor, há imagens que não devemos dar aos jovens, às crianças e mesmo aos adultos, há pessoas que em nada contribuem para um mundo melhor … ok, há a música, há a voz que parece de outro mundo (e se calhar é) mas … aquilo que vimos no RockinRio, e que cada vez mais se está a tornar padrão, em nada contribui para um mundo melhor. Falo da Amy Winehouse.

E aqui deixo, mais uma vez, uma crónica do Ricardo Araújo Pereira, que para mim, mais uma vez, é genial a escrever:

EM LOUVOR DE AMY WINEHOUSE (e Vodkahouse e Whiskyhouse)

Começou, na passada sexta-feira, o Rock in Rio, o popular festival de música que se caracteriza por não ser de rock nem decorrer no Rio. Sob o lema por um mundo melhor, dezenas de artistas lutam, ao longo de dois fins-de-semana, para proporcionar um Mundo realmente melhor a todos os habitantes do resto do planeta e meia dúzia de dias infernais a quem reside a Chelas. Uma coisa são tiroteios entre vizinhos e a polícia, violências entre gangs na rua e tráfico de droga à descarada. Mas, porém, ao virar da esquina, o Rod Stewart a uivar à uma da manhã é um castigo que aquela gente não merece.

Nesta edição do festival, acompanhei, com especial interesse, o concerto de Amy Winehouse. Devo dizer que qualquer expectativa que eu pudesse ter foi superada. Além de lutar por um mundo melhor, Winehouse lutou, e muito, para se manter de pé. São dois combates em vez de um. Nem sempre conseguiu, é certo, mas fez um esforço heróico. À primeira vista, dir-se-ia que Amy Winehouse entrou em palco sobre a influência de mais que uma substância, sendo que o álcool talvez tomasse a dianteira. Tratando-se de um festival familiar, a actuação de Amy proporcionou divertimento para toda a família. “Eu acho que ela está bêbada. E tu, papá?” “Creio que não, filho. Repara como ela cambaleia. Isto é chinesa, e da boa.”
Acima de tudo, foi um concerto que sublinhou, uma vez mais, a diferença que existe entre um bêbado deprimente e um grande artista. Ambos balbuciam coisas sem sentido e cantam, mas o que está à frente de um baterista e dois guitarristas é o grande artista.

Não quero com isto sugerir que Amy Winehouse não contribuiu para que o Mundo fosse melhor. Por um lado, toda a gente que já se entregou aos prazeres do álcool percebeu que, ao segundo ou terceiro copo, o Mundo parece, de facto, começar a melhorar. Agora imaginem quão bom é o Mundo de Amy Winehouse. É possível que a artista estivesse convencida de que se encontrava de facto, no Rio de Janeiro. É possível até que estivesse convencida de que aquilo que estava a fazer era cantar. Por outro lado, deve destacar-se a mensagem que Amy passou aos jovens. Os jovens, aparentemente, precisam muito de receber mensagens, e a generalidade das pessoas espera que sejam os cantores e as estrelas da televisão a enviá-las. Pois bem, a mensagem de Winehouse era clara e edificante: não consumam álcool nem drogas, pois receio que não sobrem para mim.

Há quem diga que estes concertos podem fazer muito para resolver a probreza no Mundo. Mas são artistas como Amy Winehouse que vão além da caridade e têm, de facto, uma intervenção macro-económica séria. A economia da Colômbia, por exemplo, está toda às costas da rapariga. 
[RAP in Visão]

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3 Respostas to “Por um mundo melhor”

  1. Paulo Says:

    Digna de pena, nunca de admiração! Infelizmente muitos dos nossos jovens não pensam assim e são bem capazes de usá-la como exemplo de comportamentos, o que num festival por um ‘mundo melhor’ não deixa de ser contraproducente.

  2. Fernando Baião Says:

    O mundo do espectáculo tá cada vez mais alienado a causas que levam a juventude para os caminhos da droga, do alcool e da prostituição. Colocar em palco uma cantora no estado em que se encontrava a Amy, brada aos céus, mas o que admira, é a não reacção dos milhares de espectadores que estão a assistir, pulam, gritam não se sabe porquê. Um dia, assistia, em França, a um espectáculo da Sylvie Vartan. O aparelhagem pifou e a”cantora?” continuou a cantar só que não tinha voz nenhuma, sem o som dos altifalantes. O público em repúdio por ter sido enganado partiu todas as cadeiras do recinto,e só não bateu na pseudo cantora porque esta fugiu pelos bastidores, protegida pelos seus “gorilas”.

  3. migas Says:

    Concordo plenamente Kianda. Não diria melhor. Cheguei mesmo a comentar com o meu rapaz que, continuando a convidá-la para eventos, a moça deve achar que afinal, mesmo assim tem sucesso e dificilmente fará algo para mudar. Eu até gosto dela e antes deste mediatismo todo, quando ela surgiu com o 1º videoclip a moça não tinha este mau aspecto… Ainda para mais, um espectáculo como o Rock in Rio que tem como slogan, “por um mundo melhor”. Hein?

    Contudo, relativamente ao facto do mundo do espectáculo estar relacionado com o alcool e as drogas, não me parece que seja de agora. Eu nunca vi, mas já me disseram que o Jorge Palma é rapaz para ir dar espectáculos embriagado. Já para não falar do Jimi Hendrix ou da Elis Regina que eu nunca cheguei a conhecer a música deles em vida…

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