Estranha…a nossa mente

Hoje tive um sonho estranho … sonhei com um amigo meu que morreu há 8 anos atrás. Este amigo era o meu mano, como se diz na terra, amigo como irmão (tipo a Xózinha, ehehehe).

Morreu num acidente de carro em Fevereiro de 2000, com 30 anos, e ainda hoje me lembro de todos os promenores. Foi o meu primeiro encontro sério com a morte e não foi fácil. Muitas vezes me apanho a pensar em coisas do nosso passado, as festas que demos, a melhor festa de carnaval no Costa do sol, a festa da paz onde o gelo faltou , por culpa de quem??? ehehehe, do C. claro. Mas depois no pandemonium veio a festa do gelo onde até o céu nos deu água … as procupações que ele sempre nos deu, a cadeia, as mulheres, o casamento, aquele casamento em que fui madrinha dele e os dois chegamos atrasados à cerimónia 😉 … realmente, ele sempre deu trabalho, o meu mano do meio, mas como eu gostava dele.

As minhas saudades são diárias, e talvez por isso, não sei, hoje sonhei que ele estava vivo. Sonhei que estavamos numa festa e de repente ele apareceu, a abraçar toda a gente, quando olhou para mim começou a chorar ainda de longe, tinha estado escondido, e vivo, todos estes anos …

Não sei se vos consigo transmitir o misto de sentimentos que tive, a raiva por todo o sofrimento destes anos e a alegria por ele ter aparecido, e lembro-me que na altura, no sonho, pensei, claro que ele nunca poderia ter morrido, como é que eu não pensei logo que era mais uma das dele!!!

É uma da tarde e estou acordada… e ele? Não, ele não está aqui.

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14 Respostas to “Estranha…a nossa mente”

  1. Says:

    Não, minha querida amiga como mana, não é a mente que é estranha, o que é estranho é mesmo esta coisa que se chama morte, que se acha no direito de nos levar quem amamos e queriamos para todo o sempre ao nosso lado, que nos deixa desorientados numa procura eterna dos que “ela” levou, com uma saudade dolorosa no peito, que faz de nós os seres mais egoístas quando nos questionamos “porquê a mim?” e pior, não nos dá qualquer explicação, não diz para onde os leva, como os leva e como os vai tratar. Para nós, que ainda não fomos, é mais fácil pensar que os que foram estão em Paz, que no caso do C. continua a dar as suas bodas e as suas gargalhadas e a fazer furor entre as garinas.
    Das coisas mais dificeis para mim, sempre que aterro em Benguela/Catumbela, é não ter o pai à espera, foi sempre ele que esperou por mim, com um sorriso de felicidade estampado no rosto, hoje aterro e não tenho esse sorriso, procuro e só encontro na recordação!

  2. aNa Says:

    ou estará?
    lê isto: http://amariadaianaabloggar.blogspot.com/2007/05/enquanto-me-lembrar.html

  3. Fernando Baião Says:

    Eu, que até sou filho único, tenho uma sobrinha de quem gosto muito e tinha um sobrinho de quem era muito amigo, desapareceu tragicamente e ainda na flor da vida e se tinha vida, esse nosso ente querido. Não gosto de chorar os mortos, gosto me lembrar deles como se estivessem vivos, os seus bons e maus momentos, e com este meu sobrinho, os bons momentos são mais que muitos. Ficará sempre nos nossos corações.

  4. Says:

    aNa, lindo e tocante! as crianças têm essa capacidade de nos surpreender e nos transportar para esse mundo encantado.

  5. Says:

    Fbaião, é isso mantê-los bem vivos nos nossos corações e na memória.
    Já agora não vais revelar quem é a sobrinha??? hehehe!! Fala Kianda, diz o que te vai na alma: “lá está a xó” ahahahahahahaha

  6. kianda Says:

    exactamente aNa muito lindo … as crianças veêm as coisas com uma inocência que nós já perdemos e elas é que têm razão. E concordo com o fbaiao, relembrar os mortos enquanto vivos e rir dos bons momentos.
    Porra Xó (este porra aprendi com o fbaiao), tu és impossível 😉

  7. Says:

    hahahahahahahahahaha!;-)

  8. aNa Says:

    e kianda
    é as crianças são assim… e a nós cabe não nos desencantarmos neste mundo, não é?
    tarefa que nem sempre é fácil.

  9. Fernando Baião Says:

    A minha sobrinha querida é uma “minina” da N’Hareia que está desterrada na Katumbela. Bjinhos

  10. bibbas Says:

    Morte…no meu lidar com ela, o mais difcil foi dizer ao meu herdeiro que seu pai tinha morrido…a sua cara de tristeza e as suas palavras perdidas naquela da sala em New Roshelle nunca mais sairao da minha recordacao…Muito cedo na vida do meu filhote foi tarde de mais…

  11. Kissonde Says:

    “Death ends a life, not a relationship.”

    Robert Benchley

  12. Says:

    That’s it, Kissonde.
    Fbaião que sorte tem essa “minina”!! 😉

  13. migas Says:

    Eu também não consigo encarar muito bem esta coisa de morte. E também me faz confusão que ela se lembre de pessoas novas, com muito para fazer e viver. Ainda à uns dias, uma pessoa relativamente próxima, morreu cá, em Angola. Eu não me “despedi” na missa antes da transladação para Portugal e, fico até hoje com a ideia que o vou encontrar por aí, numa das noites de Luanda, como era costume. E às vezes, prefiro que assim seja… Pode ser que a idade me faça encarar melhor, esta coisa de morte…

    Beijinhos para ti!

  14. kianda Says:

    Não faz não migas … é sempre estranho, mas o segredo tá em relembrar essas pessoas com alegria e não com tristeza.
    Bela frase Kissonde, belo jeito de definir o que dissemos.

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