Primeiro os Nacionais

Foi aprovado um decreto lei que visa garantir emprego para os trabalhadores angolanos, pelo menos os do sector petrolífero.

Pelo que percebi a contratação de pessoal estrangeiro para o sector petrolífero só poderá ocorrer mediante comprovação da não existência, no mercado nacional, de cidadãos angolanos com a qualificação e experiência exigidas, e por meio de autorização do Ministério dos Petróleos.

Boas notícias, acho que se devia começar a pensar em alargar o decreto-lei a outros sectores, a começar pela Banca, principalmente as de capital misto.

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29 Respostas to “Primeiro os Nacionais”

  1. migas Says:

    Yep, concordo. Mas agora vê lá se me consegues responder a esta pergunta: porque é que a minha empresa pôe anúncios no jornal e procura nas faculdades, engenheiros civis angolanos e não há candidatos? Será que é, como me disse ontem o director de departamento de uma faculdade angolana que, estão todos à espera de ganhar 10.000 dólares no primeiro emprego?

    Agora conseguimos arranjar 2 e parecem-me satisfeitos (não faço ideia quanto é o ordenado)… Mas, não houve muita hipótese de escolha!

    Beijos

  2. Fernando Baião Says:

    Falo por experiência própria, são decretos de pura demagogia. Todos sabemos que o sector de petróleos tem a sua especificidade e não existem quadros angolanos capazes de satisfazer a procura, quem seleciona os trabalhadores angolanos são as empresas estrangeiras e o pessoal angolano recrutado é para categorias mais baixas e de pouca qualificação.Seria muito bom que isso se verificasse a todos os níveis, mas quem manda nos sectores importantes da nossa economia, não são os angolanos, mas sim, os empresários, administradores e directores das empresas estrangeiras, que “obrigam” por contrato a ter a opcção de escolha. O problenma principal é a falta de formação, ninguém se preocupa, basta ver o pessoal que atende os balcões da Banca para se ter uma ideia do que realmente se passa.Nos petróleos os investimentos são muito elevados e as empresas petrolíferas não vão admitir quaquer um, só porque existe um decreto. Todos sabemos, que as leis não foram feitas para se cumprir, mas sim para “inglês ver”.

  3. kianda Says:

    Não, não consigo migas, e sei que é verdade que o angolano muitas vezes diz q não se levanta da cama por menos de 10.000USD e no primeiro emprego (faz lembrar a Kate Moss 🙂 )
    Não concordo que as leis não foram feitas para se cumprir FBaião, se não acreditar-mos num estado de direito, não acreditamos em nada.

    “… decreto faz parte de um conjunto de diplomas referentes à regulamentação das operações petrolíferas nos domínios da formação e integração de quadros angolanos, da prospecção, pesquisa, avaliação e do acesso às áreas terrestres e a aquisição de direitos fundiários, aprovados hoje pelo Conselho de Ministros, na sua 7ª sessão ordinária”

    O sector dos petróleos por acaso é o que mais formação dá aos técnicos angolanos, existem muitas bolsas de estudo da Sonangol e a Esso quando aposta nos bons quadros angolanos “manda-os” para Huston por 2 anos para estágio e formação … nem tudo é/tá mau!!!

  4. f. Says:

    Caros, eu estive ontem a conversar com um senhor angolano que por muitos anos trabalhou para uma petrolífera estrangeira. Morou fora o tempo todo e, quando finalmente resolveu voltar a Angola, acabou saindo da companhia porque aqui, mesmo com a especialização altíssima que tinha, ele ganhava salário inferior ao pago para expatriados em cargos de direção semelhantes ao dele. Segundo ele, isso é muito comum e os bons quadros angolanos dessas empresas acabam preferindo morar fora para ganhar mais. Por que as empresas fazem isso? Se um quadro é bom o suficiente para ser enviado a outro país num cargo de direção ganhando altos salários, porque não pode receber o mesmo e ter o mesmo poder no próprio país? Esse não é um fenômeno de Angola, no Brasil sucede o mesmo.
    Kianda, concordo com o Baião de que a lei, infelizmente, vai ser driblada. Esse senhor me disse que, quando são obrigadas a dar um cargo importante para um quadro nacional, as petrolíferas fazem a reestruturação. Dão o cargo e a pompa dele ao angolano, mas esvaziam a cadeira de todo o poder que ela tinha. O governo não pode acusá-los de desrespeitar a lei, mas eles mantém o controle nas mãos dos seus compatriotas.

  5. Fernando Baião Says:

    Isso são migalhas, comparado com as potencialidades de trabalho do sector dos petróleos. Estive o tempo suficiente no sector para saber como as coisas são cozinhadas. Os tais bons técnicos são a minoria e mesmo assim entram por “cunha”. Estou a falar das empresas estrangeiras e não da Sonangol, onde aqui a situação está mais equilibrada.Se a Kianda soubesse quantas leis estão publicadas nos Diários da República e ficaram letra morta, ficava assustada. Bom, mas enquanto houver esperança.

  6. Says:

    Eu reforço o que a Kianda disse anteriormente, este é o sector que mais aposta na formação de quadros nacionais no exterior, ou pelo menos aquele de quem mais se fala nesse sentido, portanto terá/deveria tirar os dividendos desse investimento, mas há também uma questão que me parece pertinente que é a atribuição das referidas bolsas, não são ou não parecem ser de acordo com as necessidades do sector, uma vez que 2º consta maior parte das bolsas são atribuídas para formar economistas, psicólogos, sociólogos, enfim… acredito que façam falta ao sector mas em maioria?? e os engenheiros onde ficam??? conheço um caso concreto de uma engenheira que se formou com bolsa do Min. dos Petróleos, terminada a sua licenciatura (em tempo devido) e com óptimo aproveitamento, apresentou-se no referido Ministério, já lá vão 3 anos e até hoje nunca recebeu qualquer contacto, está a trabalhar é lógico, mas não está a trabalhar no ramo petrolífero.
    Quanto à exigência de 10.000 USD como base para 1º emprego, Migas está coberto de razão, e exigem mais, as regalias que consideram “justas”, carro topo de gama e vários subsídios, é um luxo!! o lema deixou ser “o trabalho dignifica o homem”, mas sim “o dinheiro dignifica o homem”, alguns jovens não querem empregos, querem cargos.

  7. Says:

    Fernando Baião,
    Senti a ausência dos teus comentários!! que bom que apareces!!
    Beijo

  8. Fernando Baião Says:

    Querida Xó, acaba por me dar razão, a formação é um bluff, ou tu achas que os americanos, ingleses e franceses ligados ao ramo dos petróleos querm sociólogos ou psicólogos angolanos? O teu exemplo do engenheiro que anda a penar noutro sector e o caso contado pelo F. são prva evidente da demagogia que se insere na política do sector ( não será mais uma lei saída da pré campanha eleitoral?). Quem manda no sector é mesmo o estrangeiro é ele que toca os principais instrumentos. Se conseguem invadir um país, o Iraque, pelo petróleo, acham que em Angola são os angolanos a dar o toque? Temos que ser realistas e com os pés bem assentes no chão. Petróleo e a seguir os bens alimentares estão na mão das multinacionais e o resto é paisagem.

  9. Says:

    E por falar em formação de quadros nacionais:
    http://www.angonoticias.com/full_headlines_.php?id=20516

  10. migas Says:

    Eheheh… Tema polémico kianda! E o FBaião voltou com a força toda (confesso que também já sentia falta da “presença” dele! :o)

    Quanto ao tema, não consigo comentar muito por puro desconhecimento. Sei que a Sonangol tem muitos quadros angolanos (acho que até na sua maioria). Já conheci alguns decentes mas, também já ouvi falar em alguns que lá estão pelo cargo.. Não sei que diga. Quanto às empresas estrangeiras, um amigo teve uma proposta para a Esso (acho eu) e, as condições não eram grande espingarda. Contudo, penso que a proposta contemplava um período de formação inicial e, após isso, um ajuste das condições. E esse asseguro que não entraria por cunha… Por isso não sei quem terá razão.

    Já agora: Xó, eu sou uma menina. ehehe Sou uma migas! :o)

  11. Says:

    Migas,
    As minhas mais sinceras desculpas!!! A cena virtual leva-nos a cometer estes erros, prometo que não volta a acontecer.
    Estou perdoada???

  12. Says:

    E agora minhas companheiras e meus companheiros virtuais, vou-me retirar para um merecido FDS.
    Amanhã vou, uma vez mais, ver o Paulo Flores que se encontra na bela cidade (??? já não tão bela) das acácias rubras (quase sem elas).
    Beijo e bom FDS para todos

  13. migas Says:

    Lol Perdoadíssima, Xó! Por acaso já não é a primeira vez que me trocam o género. Mas, felizmente, só virtualmente! :o)

    (Esta é a Xó da terra com a ponte bonita, kianda?) Aquela ponte que está com umas fundações 5 estrelas? :o)

  14. Global Voices Online » Angola: Priority for Angolan workers in the labor market Says:

    […] Kianda [pt] celebrates a recently approved law that ensures employment for Angolan workers in the oil sector through a ban on hiring of foreign staff unless the necessary skills can not be found among Angolan workers. “Good news, I think they should start thinking about extending the law to other sectors, starting with banking, especially those of mixed capital.” Posted by Paula Góes  Print Version Share This […]

  15. kianda Says:

    Ya, é a Xó da Catumbela 😉 … sobre as fundações, pois não sei … esperemos que sim, boas fundações mantêm uma ponte de pé, certo??? 🙂

  16. kianda Says:

    [Já plantei uma árvore, tive um filho, o “ter voz” no Global Voices Online não substitui o escrever um livro???]

  17. Fernando Baião Says:

    Não substitui, não. Mas eu sei “que vai vir” (como dizemos na terra”.

  18. kianda Says:

    😉 FBaiao

  19. claudia Says:

    oi so estudante aqui no brasil mas por conta propria eu gostaria de saber o que faço pra consiguir uma bolssa de estudo da vossa empresa…

  20. XO Says:

    Kianda, não sabia que concedes Bolsas de estudo … nem tão pouco que tens uma empresa.

  21. kianda Says:

    Nem eu Xó … nem eu !!! Mas foi engraçado reler estes comentários.

    Cláudia, realmente não sei o que te levou a pensar que eu teria uma empresa e que daria bolsas de estudo, o que é certo é que infelizmente não tenho nem dou … não posso ajudar !!!

  22. Fernando Baião Says:

    Kianda, arranja uma bolsa também para mim, estudar para ser cooperante em Angola, é o que está a sair e tá a dar. Viver no apartaide dos condomínios de luxo, ir à praia longe dos indígenas, comprar e comer nas lojas chiques (?) do Belas Shopping, enfim, ter salários chorudos.
    P.S. Já sei que vão dizer, lá está este com os seus radicalismos, mas, ressalvo, que não sou contra a Cooperação, pois felizmentre ainda temos alguns que se safam.

  23. maria Says:

    Os meninos à volta da fogueira… 😉 Paulo de Carvalho, dia 1 e 2 de Julho na Casa70

  24. Fernando Baião Says:

    Os meninos à volta da fogueira, já eram, agora são meninos de rua, pobres e miseráveis, sem rei nem roque,

  25. kianda Says:

    Aqui tenho que concordar com o FBaiao, acho que até já nem as estrelas são do povo …

  26. POKEMON Says:

    Meus caros! Demagogia é com vocês! Acham que trocar quadros estrangeiros por nacionais se resume apenas à vontade de alguém? Leiam e estudem sobre os países que fizeram isso e, logo vão concluir que se trata de um exercício meticuloso e demorado. De facto, vocês dão credibilidade demais aos nossos governantes porque na verdade, eles não fazem ideia como se inicia e implementa-se um processo desses. As mudanças em qualquer nação não são consequência de “slogans” do género “vamos trocar a mão-de-obra estrangeira por nacionais”! Para tal meus caros, precisava-se de planos específicos, legislação realista, centenas de escolas técnicoprofissionais, institutos de especialidade e universidades. Criticar sem dar soluções já não é uma coisa razoável nos dias de hoje, principalmente quando essas são meros “slogans”, se querem ajudar, informem-se e coloquem-se no lugar daqueles que devido a limitações que vocês também apresentam, apenas vêem como prioritário fazer estradas e escolas do primeiro nível. Mudar o país com um pensamento a médio e longo prazo assente no factor humano, ainda é coisa “estranha” em Angola e pelos vistos também na cabeça de muita gente que possui alguma educação e continua a desejar o desenvolvimento “sloganista” como vocês. Por favor sejam adultos e consequentes, porque governar requer criatividade, adaptação de ideias, ambição nacionalista e não apenas criticas e rancores do tipo “já tenho o meu quinhão…agora digo o que quiser”. Desculpem se usei alguma linguagem menos apropriada.

  27. POKEMON Says:

    By the way Kianda, as estrelas só “foram” virtualmente do povo nos países que rumavam para o comunismo científico (deu no que deu), povo é povo, merece viver com dignidade e bem estar, mas as estrelas e as questões celestiais sempre serão destinadas a um outro grupo de pessoas, quer seja em Angola ou em Marte, não é?

  28. Fernando Baião Says:

    Pokémon, caíu na real. “Povo é Povo, merece viver com dignidade e bem estar”. è isso mesmo, só que está a custar que esse Povo tenha o que merece. Realmente, governar requere criatividade, só que a criatividade da nossa governação e não só, está dirigida só para um lado, o trungungu do kumbu.

  29. Pokemon Says:

    Ahahhh meu caro beira mar, nunca percebeste mesmo nao e? Pensares que eu era os “clones” OTB’s JES e cambada tirou-te um bocado de capacidade de observacao meu caro watson!! Sempre estive na real, simplesmente isso passou-te despercebido…estas perdoado, entendo que na altura os clones destabilizaram o blog, e toda a opiniao contra era outro clone. Quanto ao trungungu do kumbu, isso nao e um fenomeno novo em Angola, pois nao?

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