As crianças nascem para serem felizes

“As crianças nascem para serem felizes. O seu cérebro tem um potencial fantástico de curiosidade, espanto, encantamento pela descoberta. Até à entrada na Escola, isto é evidente para todos os pais, que inevitavelmente se apaixonam por aquele brilhozinho nos olhos, o riso sem disfarce, a alegria sem nuvens. Porém, à entrada na escola, para muitos, tudo se transforma. De repente, o mundo mudou. O afecto ou o sorriso dos adultos parecem depender da facilidade com que se resolvem os enigmas das letras e números. Se para alguns, a navegação dessas águas é fácil, para outros, é um Cabo das Tormentas, sem Boa Esperança à vista. As crianças entristecem, prisioneiras de um aquário onde muitos olhos observam os seus resultados, realizações, derrotas. A autoconfiança esvai-se lentamente, a ida para a escola torna-se uma punição. ès preguiçoso – dizem uns -, és um distraído – dizem outros. A insinuação de inferioridade vai-se tornando progressivamente mais clara. O mundo, para a criança, tornou-se hostil. Para os pais, a perplexidade: como é possível que aquela criança, tão “viva” e “esperta”, se mostre incompetente quando posta à prova no mundo das letras e números? Como explicar que o que parece ter aprendido hoje seja de pronto esquecido amanhã? E o contraste entre a dificuldade de concentração nas aulas e as horas esquecidas em frente a um jogo de computador? E o “click” de que os amigos falam e não chega? E a imaturidade que a psicóloga diagnosticou e não mais se resolve? A explicação surge em regra, responsabilizando a criança: é distraída, preguiçosa, desinteressada. E a criança esforça-se mais uma vez, e mais uma vez falha, até à conclusão inevitável: não presta! Algumas descobrem a saída que as poderá tornar populares: ser o mais aventureiro, o que desafia a autoridade. Contudo, existe sempre uma causa ou conjunto de causas para o fracasso escolar. É necessário tentar investigá-las, compreendê-las, e não culpar simplesmente a criança por circunstâncias que lhe escapam.”

Dr.Nuno Lobo Antunes (Neuropediatra – Director Clinico do Cadin)

Eu faço parte dos que têm sorte e tem um filho para o qual a navegação dessas – e de outras – águas é fácil. Mas cada vez mais, ao meu redor, encontro pessoas de quem muito gosto e que se deparam com problemas complicados, problemas que ultrapassam por vezes a nossa capacidade de entender o porquê, porquê que é assim , porquê ela, porquê eu …

Mas felizmente, cada vez mais também, existe ajuda. Com muito ou pouco dinheiro, temos a maior riqueza, os nossos amigos que estão sempre lá prontos para ajudar – como sabem e como podem – mas temos também ajuda profissional cada vez mais especializada, é preciso procurar, querer e amar, porque, afinal, as crianças nascem para serem felizes.

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4 Respostas to “As crianças nascem para serem felizes”

  1. Diário da África Says:

    Tocante!

  2. Diana Leite Says:

    Estou à procura de informações sobre bolsas de estudo e encontrei este blog. Abri, olhei, li, reli, cusquei e cheguei à conclusão que em Angola também se fazem bons blogs 😉

    Parabéns 🙂

    [ Eu deixei esta mesma mensagem num outro post mas peço desculpa, enganei.me ]

    ‘ As crianças nascem para serem felizes ‘, com certeza que sim, embora muitas adversidades atravessem os nossos caminhos … Mas afinal, que piada teria a vida sem tais acontecimentos ? :O

  3. Bibbas Says:

    Imaginem que estão a visitar um viveiro de plantas. Percebem de uma agitação lá fora e vão ver o q se passa. Encontram um jovem assistente lutando contra uma roseira, tentado forçar as pétalas da rosa a se abrirem. Vocês perguntam o quê que ele esta a fazer e ele explica: “o meu chefe quer que todas essas rosas floresçam essa semana, então na semana passada eu cortei todas as precoces e hoje estou a abrir as atrasadas”. Vocês protestam dizendo que cada rosa floresce a seu tempo, é absurdo tentar retardar ou apressar isso. Não importa quando a rosa vai desabrochar – uma rosa sempre desabrocha no momento mais oportuno para ela. Vocês olham novamente a rosa e percebem que ela está murchando, mas quando vocês o alertam, ele responde: “Ah, isso é mau, ela tem disdesabrochamento congênito. Vamos ter que chamar um especialista”. Vocês dizem: “Não, não! Foste tu que fizeste a rosa murchar! Tu só precisarias satisfazer as exigências de água e luz da planta e deixar o resto por conta da natureza!” Vocês mal conseguem acreditar no que está acontecendo. Por quê o chefe dele é tão mal informado e tem expectativas tão irreais em relação às rosas?

    Essa cena nunca teria se passado em um viveiro, é claro, mas acontece todos os dias nas escolas. Os professores exigem que todas as crianças aprendam no mesmo ritmo e do mesmo jeito. No entanto as crianças não diferem das rosas em seu desenvolvimento: elas nascem com a capacidade e o desejo de aprender, e aprendem em ritmos diferentes e de modos diferentes. Se formos capazes de satisfazer suas necessidades, proporcionar um ambiente seguro e propício e evitar nos intrometer com dúvidas, ansiedades e calendários arbitrários, aí então – como as rosas – as crianças irão desabrochar cada uma a seu tempo.

    Este e o desafio..so que em paises como o nosso isto e um sonho…

  4. kianda Says:

    Bibas que belo exemplo, que bela história que tão bem ilustra as exigências dos pais, dos professores e da sociedade em relação a estes pequenos seres!!! Obrigado.
    Diana obrigado pelo elogio ao blog e aparece sempre, a frase “em Angola também se fazem bons blogs” é que parece vinda de alguém que não acredita muito que de Angola possam vir boas coisas … Angola tem problemas, é verdade, mas tem muita coisa boa e principalmente tem muita gente capaz.
    Bj Diário de Africa

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