Alguns passos

Não posso ser conselheira de ninguém até porque o meu relacionamento não deu certo, mas, também por isso, aprendi algumas coisas, meditei naquilo que fiz errado e, com o tempo e a maturidade que ele traz, hoje algumas coisas não repetiria … ou pelo menos, tentaria não repetir.

Li sobre o que poderia facilitar o acertar do passo numa jornada amorosa, numa relação, num casamento, e como gostei do que li, aqui transmito.

1. Sonhar Juntos
O sonho de construir uma vida juntos une um casal … mas ao longo do casamento, os dois mudam e os sonhos também. O grande desafio, em qualquer fase da relação, é lidar com o desejo do outro, o que implica suportar frustações e adiamentos ou simplesmente ter de administrar diferenças inesperadas. O projecto comum dá a medida de quanto o casal está conectado e aceita limites (uma mulher bem sucedida pode descobrir que o marido não tem as mesmas ambições que ela, ou vice-versa). Além de que ambos estão sujeitos às pressões sociais e das famílias de origem. Libertar-se de interferências, descobrir o próprio desejo e partilhá-lo com a pessoa amada são sinais de maturidade. É na convivência que o casal descobre que não dá pra apostar tudo no sonho comum, ambos precisam de fôlego para projectos pessoais. Essa percepção diminui cobranças e abre portas para negociações, permitindo que utopia e realidade se equilibrem.

2. Assumir a Família
No casamento, os parceiros levam para casa um legado de valores, crenças e mitos de pelo menos três gerações, mas nem sempre se dão conta dessa bagagem. Esse encontro de duas culturas diferentes traz riqueza mas também atrito. A chegada dos filhos, quando as famílias se aproximam, pode aguçar competições veladas ou explícitas.
Cuidado para não discutir com o seu par ao defender uma bandeira da sua família. Algumas lições a tirar são respeitar a família do outro; evitar ironias, indirectas e nunca usar um desabafo que o parceiro fez sobre os próprio parentes para atacá-lo (minha nota: ok, esta é difícil); não confundir enredos, se os seus pais foram ausentes ou invasivos não significa que os dele(a) também sejam.

3.Cultivar o Erotismo
Nunca abandone os pequenos rituais – tomar um vinho ou um banho juntos, sair pra jantar, uma escapadinha a dois – senão o risco de serem engolidos por assuntos domésticos é enorme. A troca efectiva empobrece e a líbido não resiste porque a sexualidade não se restringe ao que acontece na cama de casal. Ela alimenta-se de todas as situações em que se podem admirar um ao outro, divertir juntos, trocar confidências e também acertar os ponteiros, pois mágoa acumulada esfria qualquer história. As actividades culturais e uma roda de amigos também oxigenam uma relação. É erótico ter uma vida interessante!
Os casais com filhos pequenos precisam de lutar pela privacidade, mas confiem, uma família é mais feliz quando pai e mãe querem continuar a namorar. As condições para isso: cuidar da saúde física e emocional, fugir da armadilha da paixão romântica (exigir-se alta performance sempre) e não acreditar nos mitos do envelhecimento, pois a sexualidade é parte da vida e não apenas da juventude.

4.Aprender a discutir
A boa discussão é aquela em que todas as opiniões são legitimadas. Talvez o casal n ão chegue a um consenso, mas é importante que as diferenças se manifestem sem simular que está tudo bem quando não está. A discussão produtiva é muito diferente de gritar e insultar, de ficar muda(o) ou emburrada(o) ou ainda de insistir nas eternas reclamações, que só desgastam e amortecem o conflito quando o fundamental é enfrentá-lo. A chave é fazer ouvir-se e abrir-se para ouvir o outro. Cuidado com as certezas absolutas, a ilusão da verdade única – o que existe são duas visões que precisam ser respeitadas (mais uma vez, a mão à palmatória. Por mais que exista amor, o convívio mostra que o outro não é «tudo o que você sonhou», e sim uma pessoa real, que pode pensar de maneira diferente.

5.Fazer Acordos
Tempo e dinheiro são as duas moedas mais valiosas do nosso tempo. Na dinâmica de um casal, elas acionam questões emocionais. Há sempre a pergunta silenciosa «quem está dando mais ou menos para a relação?», quando isto se desequilibra, as carências – de atenção, sexo, apoio, afecto – e apelos subjectivos de toda a ordem podem apresentar-se em forma de cobranças. O melhor antídoto contra isso é esquecer a lenda de que cada um é a «metade da laranja». Nada disso, cada um é uma pessoa inteira e precisa responsabilizar-se pelo próprio equilíbrio e fazer a sua parte na dinâmica conjugal.

2 Respostas to “Alguns passos”

  1. Cafefas Says:

    E eu acrescentaria:

    A Familia é o que mais importante temos. Os nossos filhos são o nosso bem maior e, como diz o poeta, é impossivel ser feliz sozinho portanto é importante amarmos o nosso parceiro incondicionalmente. Esse é o segredo do sucesso de uma união. É fundamental chegar-se a um entendimento. Aconselho a audição de uma musica dos Everything But the Girl chamada understanding (Talvez a minha musica preferida de sempre) que define, de facto, o amago do sucesso numa relação a dois em que o entendimento, por vezes, é mais importante que o sentimento.

    pequenas passagens:

    “Fortune found us when all around us
    Half the couples we knew were disbanding
    And that needs your understanding”

    “And do you know even when we disagree
    And freedom holds out a hand to me
    You know I would nver want to be without your company
    And I mean that totally”

    Isto significa “Parceiros para a vida”

    Quando somos gratos pelo que somos e pelo que temos somos sempre felizes e por isso ninguem consegue fazer sentirmo-nos inferiorizados sem o nosso consentimento.

    Paz e harmonia para todos. Bons “understandings”

  2. smile Says:

    Já tinha marcado na agenda a leitura deste post e, devo referir que este post é para reter e para divulgar a todos os que querem acertar o passo!!! Ks 😉

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