Divagando

Durante estas minhas 2 últimas estadias em Luanda conversei com diferentes pessoas, trabalhadoras e até responsáveis em diferentes sectores da economia angolana. Umas bem mais optimistas que outras, optimismo por vezes justificavel até pelos cargos que ocupam. Bem como me tenho fartado de ler relatórios e previsões.

As crises muitas vezes são provocadas pelo pânico e pelo efeito bola de neve provocado pela “ignorância” e pelo medo. A nossa economia é ainda um bebé a dar os primeiros passos e qualquer trambolhão gera medo de voltar a tentar andar.

E há um receio e uma desconfiança muito grande nas medidas administrativas tomadas pela nova equipa económica, o aumento das reservas obrigatórias dos bancos já para 30% tanto em Kwanzas como em moeda estrangeira, relembrando que estas reservas não são remuneradas, a redução das taxas de remuneração das aplicações e a limitação da aquisição de divisas pelas empresas e pelos particulares (esta gera as conversas “de café” mais interessantes). Os bancos levantam a voz para a preocupação que estas medidas terão na sua capacidade de conceder crédito para os projectos em curso e mesmo novos com as consequências que isto terá na economia.
Relembrando que o grande crescimento da nossa economia nos últimos anos se deveu quase todo ao preço do petróleo e o restante ao investimento privado a par com o investimento público, se diminuímos tudo comprometemos grandemente esse crescimento.

Fala-se nos corredores que os accionistas nacionais dos bancos foram os primeiros a trocar os seus kwanzas por dólares gerando a especulação e as consequências que todos sabemos … sem palavras.

Vou continuar a acompanhar, atenta e interessada os próximos tempos. Torcendo para que tudo isto não passe de divagações e especulações e a nossa economia continue saudável … até porque o preço do petróleo já está acima do OGE.

3 Respostas to “Divagando”

  1. Fernando Baião Says:

    A análise sobre a ótica bancária até está correta, mas essa, “…de que a nossa economia continue saudável” é um pouco forte demais, sabendo-se, de antemão, para onde vai o produto dessa tal “economia saudável”.
    “…e isso do petróleo esta a subir”, será mais um ponto negativo à necessária diversificação da nossa economia, ( a agricltura é a base e a industria o factor decisivo) máxima que se falava muito no tempo do partido único mas que nunca foi levada à prática.
    Seria bom que todos nós, os seres pensantes do nosso país, olhássemos para a qualidade de vida dos milhões de compatriotas, habitantes dos nossos miseke( plural de museke), comparada com as poucas centenas de habitantes dos condominios de luxo, como muitos dizem, “o luxo na miséria”.
    A falta de água, de luz e de medicamentos, a fome e a miséria e as doenças que nunca mais acabam, tudo isto é o pão nosso de cada dia.E o tânsito infernal e a população a caminhar quilómetros e quilómetros a pé, a beira das estradeas, ao calor e ao pó, para ir ao emprego ou procurar comida, será possível viver assim por muito mais tempo?
    A miséria traz convulsões sociais, a desigualdade no emprego e no modo de vida, entre angolanos e estrangeiros, pode levar à xénofobia.
    Esperemos que nada disto aconteça, dizem os filósofos, que a esperança é última a morrer, mas com filósofos, pode o Povo angolano muito bem, o problema é a vida miserável que leva.

  2. Cafefas Says:

    Isto sim é preocupante. Tinhamos já um sistema financeiro aberto e livre e regredimos para outro novamente fechado e controlado tal como acontecia no outro tempo. Penso que o fruto proibido é sempre o mais apetecido e por isso, devido à natureza do ser-humano, quanto mais se criam restrições mais ele tenta fura-las. Penso que esta situação é temporaria e que o estado apenas quer dar um sinal de presença forte, demostrando que continua a ser ele quem dita as regras. A dinamica do País esta demasiado intensa para estas regras e acreditam claramente que “degavar degavarinho” a “torneira” vais se abrindo novamente e tudo voltará ao “normal”. Já nao estamos mais em tempo de nao poder movimentar as nossas poupanças e recursos livremente e de criar tamanhas restrições que levarão ao aumento drastico das taxas de juro por partes dos Bancos, no que ao financiamento diz respeito, e portanto a uma grande desaceleração no impulsionamento que o sector privado tem dado ao crescimento do País. Acredito piamente no nosso Lider, sei que é um homem de muito bom senso e que naquela cabeça enciclopedica esta tudo bem definido.

  3. maria Says:

    Não sendo eu perita em “cambios” nem economista, qdo estive no final de 2008, na banda, cambiei muitos euros por muitos Kwanzas. Nessa altura era 100 kz/1 euro.No final das férias como fiquei com bué de Kwanzas, um amigo pediu-me para lhos vender pois o Kwanza tava valorizado.Hoje passado meio ano…

    http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=368904

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