Archive for Julho, 2010

Amor vs Segunda-feira

Julho 26, 2010

Hoje acordei atrasada … a bateria do phone acabou … e não tocou !!! Acordei com o relógio biológico, mas atrasado. Sabem, quando estamos há 5 minutos a dar voltas na cama e com a sensação de que já dormimos tudo? Foi assim. A sensação estava a ser tão teimosa – mais do que eu, o que é difícil – que resolvi ver as horas.

Tava atrasada, depois o filme de quem está a atrasada, levanta a correr e faz tudo, basicamente a  correr !

Já sentada, meio a acordar, vejo no FB de uma amiga a seguinte citação:

“O amor é pior do que as manhãs de segunda-feira. Quando acordas, em ambos os casos, já estás atrasada. E só nas segundas ainda tens alguma hipótese de recuperar.”

Gostei, gostei mesmo muito. E comecei a pensar, segunda-feira acordei atrasada, mas ainda consegui recuperar, é verdade.
E no Amor? É … já acordei atrasada, a velha história de darmos valor quando perdemos, ou mais valor, ou real valor.
Já o fiz, faço muitas vezes, chamar Amor é exagero da palavra, mas serve para aquilo que preciso analisar e melhorar.

Comecei a pensar, faz parte do meu ser, tá no meu ADN, mas vai ter que sair… chega de, propositamente, deixar a bateria do telemóvel acabar e acordar atrasada, porque realmente, só nas segundas-feiras, tenho hipóteses de recuperar.

A queda do cavalo e a conjugaçao das estrelas

Julho 25, 2010

Se existe um dia perfeito, esse dia foi hoje. A lua quase quase cheia, tão quase que até engana os mais distraídos.

Os mais velhos e normalmente mais sábios dizem que quando se cai do cavalo, devemos subir outra vez, para perder o medo. Hoje foi o dia em que voltei a entrar num sitio que dizia, Centro Oncológico. Senti as pernas bambas, tive que respirar fundo, e o tempo que lá estive foi de arrepios de frio. Fui acompanhar uma grande amiga que iniciou hoje as suas sessões de radioterapia … foi o meu subir de novo para a garupa do cavalo.

Mas esse foi o momento mais … mais … estranho, o dia foi tão estranhamente bom, que não consigo definir este momento como mau.

O dia começou como eu gosto, matabicho na varanda, ao fundo e até à linha do horizonte, e arrisco dizer que até depois dela, o mar. Sol, muito sol. E as revistas da semana.

Almoço com 2 belas amigas, K. e A., belo peixe grelhado, bom papo a tarde toda… depois…aquele momento, o tal que não tem, porque eu não quero que tenha, definição.

Vamos ver a Corinne? Vamos. Chegadas a Cascais, duas voltas ao quarteirão, eis um lugar mesmo em frente à porta do Parque Marechal Carmona, bom demais para ser verdade…estaciona. Sai do carro e analisa o lugar, humm… vamos de certeza ser rebocadas, este lugar não podia estar aqui à nossa espera. Acho que estava.

Compra bilhetes, bons lugares. É cedo, vamos comer? Vamos. Chegadas ao restaurante, aquele que vimos e gostámos quando passamos nas tais duas voltas à procura de estacionamento. Super cosy, como disse a minha amiga, “tem um ar europeu”. Ohhh é sushi, era mesmo o que me apetecia, olha bem … Confraria?! Eu conheço este nome … AAAAhhhhhh , é aquele restaurante que me falaram e que já tentei cá vir 2 ou 3 vezes e sempre que telefono não consigo lugar. A rapariga simpática foi ver se conseguia lugar, voltou, “tenho uma mesa, mas têm que sair até às 10:30” … no problem 🙂 , temos um concerto às 10h !!!

Este foi o primeiro momento em que achamos que os astros estavam alinhados.

Falar do restaurante e do quão o sushi, sashimi e afins eram fantásticos levava horas!!! Tudo perfeito, resume o que sentimos. À entrada do Parque, “tens pastilhas?”, não … precisava de uma coisa doce para tirar o gosto da soja, precisava mesmo… uma voz “querem um gelado?” . A Edp oferecia gelados, com cone de bolacha e tudo 🙂 … ainda não vos convenci que era a conjugação perfeita das estrelas?

A Corinne é a Corinne, love me ou hate me. Há quem a ache uma seca, eu adoro. Nao me desiludiu, bons músicos, ela sem enganar ninguém, what you see it’s what you get. Acho sempre os espaços CoolJazz especiais, com uma boa vibe, este era isso tudo. Lua quase cheia no céu cheio de estrelas, noite de verão com algum vento mas nada de especial.

No fim fomos brindados com um jazz genial, perfeito para acabar. E assim terminou a noite … estão à espera da parte má?! … não tem. Foi assim que terminou o dia, tudo perfeito.

Talvez seja este o primeiro dia do resto da minha vida!!!

(Nao sei o que aconteceu, mas nao tenho acentos, as minhas desculpas, espero que o texto esteja compreensivel)

adenda: Já consegui os acentos 🙂

Sim, faz sentido

Julho 1, 2010

Quando  de repente ela se lembra de ter acordado naquela manhã de domingo depois de ter adormecido serena, serena e satisfeita, de ter acordado com uma estranha dor de cabeça.

Quando ela se lembra de ter pensado que isso nunca aconteceu, nunca acordou de uma noite normal de sono, tranquila, arrisco dizer até que ela tava feliz, sim, pensando bem, ela tava feliz. Então porquê aquela estranha dor de cabeça?

Resolveu ignorar, abanar a cabeça pra ver se ela desaparecia,  tomou um comprimido, afinal o dia ainda prometia. Um bom banho frio, um olhar de relance para aquele corpo semi despido, também sereno, aquela respiração descansada e tranquila que só os bébés têm quando dormem. E sorriu.

Pensando nisso tudo agora, sim, faz sentido. Aquela dor de cabeça , que ela nunca tinha tido era o primeiro sinal do corpo. O corpo que talvez tenha sabido bem antes que tudo aquilo era o príncipio do fim. E talvez o corpo, tenha sabido bem primeiro que ela, que afinal não queria que acabasse.

Mas ela já tinha decidido, lá atrás, que aqui seria o fim. E afinal era tão bom, tão bom que nem ela se sabia ainda capaz de sentir e principalmente receber algo assim. Mas ela já tinha decidido lá atrás. E o corpo deu o sinal.

O que ela fez? Incendiou o corpo, ela queimou, ela pegou fogo, quando o corpo percebeu bem antes que ela que queira voltar para trás, afinal não queria acabar ali, ela pegou fogo,  um fogo que veio de dentro pra fora, e se foi espalhando…

Sim, faz todo o sentido.