Raiz da Alma no CCB – O Semba em Lisboa

ENCONTRO ENTRE VIOLÕES E AS PERCUSSÕES ÉTNICAS NO SEMBA

PAULO FLORES | RAIZ DA ALMA no CCB dia 24/Outubro às 21:00
O músico, cantor e compositor Paulo Flores apresenta-se pela primeira vez no CCB com o seu novo trabalho, no qual revisita o semba tradicional em busca dos seus segmentos rítmicos originais.

“este disco é a continuação de uma estratégia que pretende eleger o sem…ba como memória colectiva da cultura angolana, símbolo da luta pela independência e da afirmação da Angolanidade” – Paulo Flores

3 Respostas to “Raiz da Alma no CCB – O Semba em Lisboa”

  1. Cafefas Says:

    Aproveito aqui o cantinho do Paulo para repetir que cada vez sou mais fã deste tipo. “Palucho” eu e o “Vice” queremos e gostamos de apoiar-te. Sabes disso. Organiza-te e terás o nosso suporte. Entretanto, continuando a falar de musica, quero partilhar convosco a descoberta de um CD fabuloso. Eu sou, felizmente, uma pessoa sensível e devido a essa característica acredito piamente no amor, na amizade e na lealdade entre as pessoas. Infelizmente nos dias de hoje tudo se adulterou. Lembro-me que em tempos vi um filme em que um homem mais velho comia alegremente uma refeição e sentou-se ao lado de uma criança com quem conversou animadamente sem qualquer inquietação com a mãe da criança a assistir ao longe sem qualquer desassossego. Nos dias de hoje assim que ele se aproxima-se da criança lá viria a Mãe a correr desenfreadamente, com algum histerismo camuflado, não fosse ele ser pedófilo. Os valores das pessoas desapareceram, já não se faz nada sem que outra pessoa desconfie de alguma intenção por trás do gesto. Hoje em dia, a maioria das pessoas, com base em vãs suposições, tira conclusões sem sequer se preocupar se estão certas ou erradas desde que isso lhes seja conveniente. Todos nós, hoje, nos rogamos o direito de avaliar os outros conforme nos faça sentir melhor, sem sequer ouvir a sua opinião ou crença. Quando alguém diz “Mata” nós dizemos “esfola”. Até vínculos criados na infância hoje são ignorados em detrimento das conveniências de cada um. Não vale de nada termos “crescido juntos” o que vale é o que acreditamos ser real, independentemente do que o semelhante tenha por dizer. Outro dia li uma frase interessante dizia assim “Há dois tipos de egoístas: os que admitem o seu egoísmo e todos nós”. Felizmente sou daquelas pessoas que admite o seu egoísmo. Sinceridade acima de tudo. Entretanto, o Planeta hoje continua a ser um sitio cheio de coisas boas, de pessoas fixes (ainda há) mas é esquisito porque a espontaneidade das pessoas perdeu-se com a evolução. Hoje uma pessoa espontânea é uma pessoa inconveniente. Ou porque diz verdades que incomodam quem não quer ser incomodado ou porque simplesmente não se comporta dentro dos padrões sociais do que é “politicamente correcto”. Como vencer hoje esse “Stress Social” ? Facebook ? Naaaa. Musica nos “cornos”. Investir hoje num sistema de musica sério é quase o mesmo que investir num bom plano de saúde porque ambos garantem a nossa boa sanidade. E voltando agora ao CD que falei no inicio. Encontrei na Alemanha, vejam só, o CD “Fado Negro” de um Senhor chamado Fernando Girão. O Fernando é um cantor/compositor de que sou fã faz alguns anos e que já tem várias obras editadas. É um tipo com um talento singular e que merecia mais. Como a vida é injusta. Veja-se a Marisa, por exemplo, é o que é por causa dos clichés da espécie humana. Eu gosto dela atenção, é uma miúda porreira, mas acho-a vulgar em termos musicais. Ela é um autentico produto do marketing moderno e “exotismo” promovido pelo mundo desenvolvido. É giro, para o mundo desenvolvido, ir ver uma Africana com cabelo “loiro” cantar fado, chame-se ela Marisa (“Mariza” agora), Manuela ou Maria. O Girão é diferente, tem mesmo talento é mesmo bom no que faz. Dizia eu encontrei o disco e comprei, como é obvio, porque tudo que ele faça eu hei sempre de comprar sem sequer ouvir. Confio nele. Quando voltei a ter 1 minutinho livre “ripei”, sem ninguém ver, o CD no iTunes, sincronizei com o iPhone e com o iPad e “voilá” já tinha o CD prontinho a ouvir com o detalhe necessário para o avaliar. Fi-lo no meu regresso a Lx. Companheiros, uma obra de arte. 12 Temas, qual deles o mais profundo… Logo o primeiro, “Assuntos com Deus” é de uma intensidade única, deixem-me partilhar convosco a letra:

    Imaginar-te no Horizonte, na sua linha deitada
    O sol a entrar dentro de ti a inventar a luz das madrugadas
    Se eu fosse um cavaleiro, teria no punho da espada
    a cruz de Cristo em vermelho e a tua alma gravada.
    E passam os anos e passa o tempo e a única certeza é tudo acabar.

    Os meus assuntos resolvo eu com Deus
    não me perguntes aquilo que eu não quero dizer
    Dá-me um motivo que possa fazer-me feliz
    eu dou-te a vida em troca de um sim

    Enquanto dorme, a cidade viaja com o meu pensamento
    eu tenho tanto em que pensar mas é só em ti que penso
    E passam os anos e passa o tempo e a única certeza é tudo acabar…”

    Ouvir isto combinado com a melodia é de arrepiar. Quem faz uma musica destas, de facto, é livre de espírito. Não dá importância ao que não importa. Lembro-me que uma vez visitei, com o meu primo CM, o Fernando Girão. Isso em casa dele. Era uma casinha modesta, com discos, pautas, guitarras tudo à mistura mas ele nem aí, super feliz a mostrar-nos, na altura, o novo disco que ia sair e que tinha uma musica cantada numa língua que ele mesmo inventou. Quem de facto tem este tipo de talento precisa de muito pouco mais para viver. Outros temas como “Sagrado e Pagão”, “À espera que venhas um dia”, “Lento Verão”, “Nesse dia meu amor”, “Milhões de outros como eu”, “Longas noites de ansiedade” e “ A luz da essência”, são um bálsamo para a nossa paz interior. Curiosamente a obra (Fado Negro) está disponível na iTunes Music Store e digo curiosamente porque, infelizmente, o Fernando Girão não tem a divulgação que tem a Mariza (claramente o mundo não é um lugar onde a justiça impera) e foi com espanto que depois de “ripar” o CD e aparecer a capa verifiquei que na loja do iTunes a obra estava disponível. Acabando que isto já vai longo, é preciso potenciar o amor, a amizade e sobretudo a lealdade daqueles que gostam de nós e daqueles de quem gostamos porque a vida é muito curta para vaidades, presunções e ostentações. O que me surpreende mais são os “falsos profetas”, aqueles que para uns são de uma extrema exigência comportamental e padrão de moralismo e para outros ostentam o mais ignóbil índice de depravação. Por exemplo aquele Juiz Americano que depois de ter julgado e condenado uma pessoa a prisão perpetua por uma qualquer imoralidade, foi apanhado com uma amante em condições deploráveis. Julgar os outros não é nossa competência eu acho.

    Desculpa lá Kianda o discurso tão longo aqui no teu espaço que é sempre tão “clean” mas quando se tem a oportunidade de expressar pessoalmente o que pensamos, dissertações como esta podem ser reduzidas a meia dúzia de palavras complementadas com expressões e gestos (aquela historia de que uma imagem vale por 1000 palavras) mas quando se quer detalhar o que nos vai na alma através da escrita, raramente evitamos textos longos e por maior que seja o texto nunca é evidente o suficiente podendo até haver más interpretações.

    Bom final de semana a todos e amanha (hoje) estou lá…

  2. Cafefas Says:

    Companheiros, morreu Patrick Saint-Eloi com 51 anos. Acredito que, mais uma vez, um grande vazio se abra nos nossos corações. Principalmente daqueles que, como eu, viveram intensamente os anos 80. Que Deus tenha a alma do Patrick em Paz.

  3. Kissonde Says:

    Finalmente Paulo Flores na melhor sala de espectáculos de Lisboa. Uma sala à altura da grandeza da sua obra.

    Paulo Flores faz parte da galeria dos notáveis da cultura angolana. Afinal, a Angola que muitos de nós amamos, mesmo à distância é essa: a da música de Paulo Flores, a dos livros de Pepetela e de Agualusa, a dos quadros de António Ole e Arlete Marques, a de Ruy Duarte de Carvalho… e claro a das gentes genuínas desse grande País, eternamente adiado.

    O que vale é que, tempos atrás, alguém se lembrou de escrever:

    À bela pátria angolana
    nossa terra, nossa mãe
    havemos de voltar.

    Havemos de voltar
    À Angola libertada
    Angola independente.

    Será esperança? Será utopia?

    Voltando a Paulo Flores. Lá estarei (como estive no São Jorge) para, durante uns momentos, “fechar os olhos” e imaginar-me nessa nossa Angola, que nunca deixará de ser minha.

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