O Silêncio do Olhar

Quando o olhar diz tudo e não diz nada. Quem és tu que incomoda o meu sono, que invade os meus sonhos mas nunca se junta.

Quem és tu que de repente não resiste e rompe o silêncio, por breves instantes, que pede colo nos momentos de maior carência para logo desaparecer para o lugar onde se esconde.

O teu olhar invade-me a alma, porque me pede sempre para chegar perto, sabendo nós que isso não é possível.

Hoje sei ler esse silêncio, hoje sabemos onde nos tocar, como nos tocar, sei o que gostas, quase conheco de cor cada pedacinho teu.

Até as birras, até essas, que me fazem sempre sorrir, eu conheço bem, para depois desapareceres, sem rasto, até a birra passar.

Guardo junto a mim o teu cheiro, o teu toque, quando por breves instantes, me puxas para perto de ti, para que o meu peito encoste ao teu enquanto suspiras, suspiro longo e profundo que traduz o teu desejo.

O olhar, o silêncio desse olhar, que me diz tudo, é o que guardo, porque meu amor, ambos sabemos que tu és um fantasma e eu uma pessoa normal.

E isso significa que vivemos em universos paralelos, e esses, só em sonhos, se tocam.

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