Archive for the ‘Paixões’ Category

O Silêncio do Olhar

Setembro 9, 2013

Quando o olhar diz tudo e não diz nada. Quem és tu que incomoda o meu sono, que invade os meus sonhos mas nunca se junta.

Quem és tu que de repente não resiste e rompe o silêncio, por breves instantes, que pede colo nos momentos de maior carência para logo desaparecer para o lugar onde se esconde.

O teu olhar invade-me a alma, porque me pede sempre para chegar perto, sabendo nós que isso não é possível.

Hoje sei ler esse silêncio, hoje sabemos onde nos tocar, como nos tocar, sei o que gostas, quase conheco de cor cada pedacinho teu.

Até as birras, até essas, que me fazem sempre sorrir, eu conheço bem, para depois desapareceres, sem rasto, até a birra passar.

Guardo junto a mim o teu cheiro, o teu toque, quando por breves instantes, me puxas para perto de ti, para que o meu peito encoste ao teu enquanto suspiras, suspiro longo e profundo que traduz o teu desejo.

O olhar, o silêncio desse olhar, que me diz tudo, é o que guardo, porque meu amor, ambos sabemos que tu és um fantasma e eu uma pessoa normal.

E isso significa que vivemos em universos paralelos, e esses, só em sonhos, se tocam.

Once In a Lifetime

Outubro 4, 2010

*London 2/Out/2010*

O meu bilhete ...

Todos os anos me ofereço uma prenda de anos, não me lembro em que ano comecei, mas virou tradição…a minha tradição.

Este ano, fiz 40, gosto de datas, gosto de comemorar datas, talvez a minha bússola para que eu saiba sempre onde está o norte.

Este ano, fiz 40, uma data especial, porque alguém disse que era especial, e eu gosto de datas. A minha prenda este ano, tinha que ser “a prenda”e, e foi tudo isso, tudo o que eu precisava.

Concerto do Sting no Royal Albert Hall em Londres. Não na Arena O2, não num estádio, no mítico Royal Albert … e tem mais … com the Royal Philharmonic !!!

Tudo era mágico, tudo foi mágico. A sala, a orquestra, o maestro Steven Mercurio – amei – os músicos do Sting, Dominic Miller sempre, Jo Lawry como voice back up singer – que voz , os arranjos para a orquestra,  e Sting, o músico, o homem, o dom, a voz, a personagem, a humanidade e principalmente, a humildade.

Que pontaria a minha, mesmo sem me lembrar, ele fazia, e fez, 59 anos no sábado. O que ajudou mais um pouco à magia para aquele dia, aquela noite, aquele concerto, ser especial. Cairam balões do tecto, centenas de balões coloridos enquanto cantavamos HappyBirthday to you, Sting !!!

Posso afirmar, sem hesitação, que foi o concerto da minha vida … até ao próximo … 😉

Deixo-vos com uma review – by Roger Friedman – onde podem sentir mais um bocadinho do que eu senti, ahhhh, e o actor Sthepen Fry (lembram-se do psicólogo grande, da série Bones, que também cozinhava? é ele) esteve ao meu lado 🙂

Multi colored party balloons rained down on rock star Sting Saturday night in London’s famed Royal Albert Hall as he celebrated his 59th birthday. It was the second of two sold out shows in two days at the famed music hall.

At first he didn’t look too happy – after all, 59 is a number, and the forever leader of the Police could easily pass for a decade younger. But he took it in stride, with guests in the jam packed audience including wife Trudie Styler, his two sisters, director Terry Gilliam, and British actor/author Stephen Fry all rocking out.

Later, the consummate musician said of being enshrouded in the surprise: “I was trying to sing, after all. I had a song to do!” He protested too much, I think. He didn’t know what was coming, but said his faithful road manager, Billy Francis, “had had a look on his face all day. I knew he was up to something.”

By the end of the song he was playing, ‘She’s Too Good to Me’, Sting gave in to the mischief as the balloons piled up around him.

I’d caught up with Sting’s classically orchestrated show on Thursday in Paris, where the audience – again, sold out to the rafters in the Bercy theater – stamped their feet like thunder to show their unanimous approval of the two hour set that takes a couple dozen of Sting’s well known songs and reimagines them in pop-classic settings.

In front of a French audience, Sting – who can often seem school teacher serious on stage – connected, and the crowd loved him. He belly danced to ‘Desert Rose’ and two stepped with his band through the just-added ‘Cowboy Song’. During emotional numbers like ‘When We Dance’ and ‘Why Should I Cry for You’ his passion resonated with the audience.

In London, where performing at the Royal Albert is always a milestone, two sold out nights is quite a feat. Saturday night’s show was extra special. At the start, Sting told the crowd: “It’s my 59th birthday, I’m starting my 60th year.” Many in the audience were young enough to be his children’s ages. Sting is either at the low end age wise of the classic rock star generation, or an elder statesman to the New Wave crowd. It just depends on how you look at it. For a lot of his audience, it’s seeing a rock “artist” at work for the first time after daily exposure to pre-packaged commercialism.

The way Sting looks at it, he’s a kid. “I love this show,” he told me a couple of times over the Paris to London period. “I could do it forever.” And you can see why. This huge catalog of songs is so well constructed that its transformation to the symphonic seems natural. Unlike other rockers who’ve tried to “mellow out” their music as they’ve aged, Sting’s transit in this direction comes off as ebullient and cool.

He not only looks good, but he sounds like a million bucks, too. At the Royal Albert, I had a seat with an unusual angle toward the stage, just above and to the side of the singer’s microphone. Sting is by himself on that spot, sort of home plate, where there’s no cheat sheet for lyrics, no augmentation for his vocals other than his beautiful, soulfully voiced back up singer, Jo Lawry. He’s out there on his own, which is sort of quaint in the era of Auto Tune and computerized gimmicks.

After Saturday’s show, a few friends and family made it through a drenching rain across London to the narrow basement club Bungalow 8. Sting’s two sisters, Angela and Anita, and Trudie’s sister, Heather, were among the guests sprinkled through a room of well wishers. Fry – a large presence in the small room – commandeered the bar area and helped reach drinks over the heads of models and other Bungalow types. A promised “stripper” turned out to be an athletic pole dancer, which was maybe a sign of the times.

Another sign: while Sting may be 59, his 20 year old daughter with Styler, Coco Sumner, has taken London by storm. Following in the footsteps of dad and older brother Joe (whose group Fiction Plane played Paris a couple of nights before Sting), Coco has her first big hit in the charts here with ‘In Spirit Golden’. On the train from Paris to London, a proud papa played it for me from his IPad, and said: “That’s the best thing I’ve heard in two years.”

© Showbiz411 by Roger Friedman

Fica aqui também a set list de sábado, podem imaginar, 2 horas de show, passando por tudo isto?!
Sting.com

Amor vs Segunda-feira

Julho 26, 2010

Hoje acordei atrasada … a bateria do phone acabou … e não tocou !!! Acordei com o relógio biológico, mas atrasado. Sabem, quando estamos há 5 minutos a dar voltas na cama e com a sensação de que já dormimos tudo? Foi assim. A sensação estava a ser tão teimosa – mais do que eu, o que é difícil – que resolvi ver as horas.

Tava atrasada, depois o filme de quem está a atrasada, levanta a correr e faz tudo, basicamente a  correr !

Já sentada, meio a acordar, vejo no FB de uma amiga a seguinte citação:

“O amor é pior do que as manhãs de segunda-feira. Quando acordas, em ambos os casos, já estás atrasada. E só nas segundas ainda tens alguma hipótese de recuperar.”

Gostei, gostei mesmo muito. E comecei a pensar, segunda-feira acordei atrasada, mas ainda consegui recuperar, é verdade.
E no Amor? É … já acordei atrasada, a velha história de darmos valor quando perdemos, ou mais valor, ou real valor.
Já o fiz, faço muitas vezes, chamar Amor é exagero da palavra, mas serve para aquilo que preciso analisar e melhorar.

Comecei a pensar, faz parte do meu ser, tá no meu ADN, mas vai ter que sair… chega de, propositamente, deixar a bateria do telemóvel acabar e acordar atrasada, porque realmente, só nas segundas-feiras, tenho hipóteses de recuperar.

Concrete jungle where dreams are made of

Junho 17, 2010

E é aqui , bem no meio da selva de cimento que vou dar o grito que me cala na garganta !!!

Momentos a dois

Março 9, 2010

Ela disse ali no FB que tá um duo fdp !!! E dizer mais o quê ?!!!

Só que, não sei bem onde vou, mas agora eu vou …

Migalhas

Dezembro 28, 2009

Sinto muito mas não vou medir palavras
Não se assuste com as verdades que eu disser
Quem não percebeu a dor do meu silêncio
Não conhece o coração de uma mulher
Eu não quero mais ser da sua vida
Nem um pouco do muito de um prazer ao seu dispor
Quero ser feliz
Não quero migalhas do seu amor
Do seu amor

Quem começa um caminho pelo fim
Perde a glória do aplauso na chegada
Como pode alguém querer cuidar de mim
Se de afeto esse alguém não entende nada
Eu não quero mais ser da sua vida
Nem um pouco do muito de um prazer ao seu dispor
Quero ser feliz
Não quero migalhas do seu amor
Do seu amor

Não foi esse o mundo que você me prometeu
Que mundo tão sem graça
Mais confuso do que o meu
Não adianta nem tentar
Maquiar antigas falhas
Se todo o amor que você tem pra me oferecer
são migalhas
Migalhas

Eu não quero mais ser da sua vida
Nem um pouco do muito de um prazer ao seu dispor
Quero ser feliz
Não quero migalhas do seu amor
Do seu amor
Sinto muito mas não vou medir palavras
Sinto muito

[composição: Erasmos Carlos]

Harlem Gospel Choir

Dezembro 8, 2009

Domingo no Casino do Estoril. Noite com muito soul, muita magia, muito som e principalmente, muita alegria. Valeu por isso.

As vozes deixaram muito a desejar – fora uma sister que infelizmente não me lembro do nome, mas cantou “Will You Be There”, que era fantástica. Acho que as melhores ficaram em casa. O concerto era um tributo a Michael Jackson e deu para sentir o Rei. Mas tivemos mais, “I believe I can fly” outro momento cheio de soul, em todos os sentidos.

E … casino e gospel, não combina, fica assim meio estranho… se eu fosse o Fernando  – o produtor que os trouxe e tantas vezes foi referido – teria escolhido uma sala mais … mais … intimista! Os Jerónimos?! Imaginam? Harlem Gospel Choir nos Jerónimos?!

2009-12-04 - Kianda

 

O grupo, que tem sede em Harlem, Nova Iorque, foi fundado em 1986 por Allen Bailey depois de ter assistido a uma cerimónia de homenagem a Martin Luther King. Desde então, o Harlem Gospel Choir já actuou para Nelson Mandela, Papa João Paulo II e Barack Obama – o presidente norte-americano convidou-os para actuar na abertura da sua campanha. Aqui fica um bocadinho do tributo a MJ
– live in Good Morning America :

Foi noite de Gal

Dezembro 5, 2009

retirada da netNo CCB, voz e violão, Gal Costa e Luiz Meira. Concerto acústico onde ela cantou MPB de grandes compositores como Dorival Caymi, Ary Barroso, Chico Buarque, Caetano, o grande João Gilberto e claro, o mestre Tom Jobim.

Um show super intimista onde nos confessou que no dia em que ouviu Bossa Nova na rádio a vida dela mudou, também a minha, pois é Gal, também a minha. Não ouvi na rádio, ouvi sim nos velhos LP’s dos meus pais, e nunca mais fui a mesma.

Gal Costa continua com uma voz maravilhosa e super “clean”. Uma noite fantástica de clássicos, de bossa nova, e, sempre que oiço boa música, sempre que oiço bossa nova principalmente, lembro-me da minha mãe, com saudade. Hoje foi assim.

E de esquebra ainda beijei Caetano Veloso, “-  posso te dar 2 beijos?!” 

 “Claro que sim” … xuac xuac, beijei Caetano, e vou dormir feliz.

Vai chegando boa música

Novembro 16, 2009

retirada da net

Tou maravilhada com o último cd de Joss Stone – Colour Me Free. Que maturidade musical com apenas 22 anos. Se fosse pontuar cada item, a capa levava nota 10 (mas já li críticas brutais) . A produção do álbum é assinada com Jonathan Shorten e Conner Reeves que também produziram o 2º álbum “Mind, Body & Soul”.

Faixas:

  • Free Me
  • Could Have Been You
  • Parallel Lines (Feat. Jeff Beck & Sheila E.)
  • Lady
  • 4 And 20
  • Big ol Game (Feat. Raphael Saadiq)
  • Governmentalist (Feat. Nas)
  • Incredible
  • You Got The Love
  • I Believe It To My Soul (Feat. David Sanborn)
  • Stalemate (Feat. Jamie Hartman)
  • Girlfriend On Demand

Em Lisboa, no coliseu a 15 de Fevereiro, eu tou lá !!!

retirada da net

E também Simone “na veia”. Já lançado em Setembro mas que só agora tenho o prazer de ouvir, e adorar! Um disco completamente made in Simone. Esta capa já não tão conseguida [ainda não consegui colocar a foto, mas vou por].

 Pela primeira vez a trabalhar com Rodolfo Stroeter, que divide com Simone a produção e a direcção musical do cd: “ Eu sempre estou ligada em tudo o que acontece na feitura do disco, mesmo quando eu não assino, estou produzindo junto”, diz Simone.
O resultado é completamente distinto de seus trabalhos anteriores, mas com a cara dela. “Eu sempre falei e cantei o amor. Para este trabalho, liguei para todos os compositores que me enviaram canções, ou até mesmo os encontrei, e disse: é um trabalho feliz, para cima, que fala do amor em todas as suas formas, jeitos e maneiras”

As faixas:

  • Love (Paulo Padilha)
  • Cartas Noites (Dé Palmeira/ Adriana Calcanhotto)
  • Migalhas (Erasmo Carlos)
  • Na Minha Veia (Zé Catimba/ Martinho da Vila)
  • Bem pra Você (Dé Palmeira/ Marina Lima)
  • Geraldinos e Arquibaldos (Gonzaguinha)
  • Hóstia (Erasmo Carlos/ Marcos Valle)
  • Pagando pra ver (Abel Silva/ Nonato Luiz)
  • Vale a pena tentar (Simone/ Hermínio Bello de Carvalho)
  • Ame (Paulinho da Viola/ Elton Medeiros)
  • Definição da Moça (Adriana Calcanhotto sobre poema de Ferreira Gullar)
  • Deixa eu te amar (Agepê/ Ismael Camillo/ José Mauro Silva)

Há dias assim

Setembro 25, 2009

Hoje é um dia estranho, acordei com um vazio estranho, nem a alegria de ser sexta feira me animou. Não me perguntem o que se passa, porque não se passa nada, aliás o vazio é isso mesmo, é esse buraco de emoções, sensações, cheiros, sabores…

De repente, recebo o email (que costumava ser às 5ªs) da Le Cool Magazine que devoro como sempre, devagarinho e com um enorme prazer. Diz o povo, que o melhor vem sempre no fim, e o povo tem sempre razão. Cheguei à útima página onde há sempre uma entrevista – se posso chamar entrevista, acho que não – há sempre dois parágrafos sobre alguém, normalmente a falar de Lisboa.

Hoje era o Zé! E confesso que a primeira coisa que me chamou a atenção no Zé, foi o seu bom ar*. Só depois as palavras. Foi imediato, digo-vos, gostei imediatamente das palavras.

O que eu gosto mesmo é de escrever. No liceu mudei de área tantas vezes quantas os meus pais deixaram e acabei a estudar, nunca consegui explicar bem porquê, Sociologia. Fui comissário de bordo e hoje sou bancário – que é a ocupação menos le cool que conheço. Já me ocorreu sair de Lisboa mas uma coisa é gostar de conhecer outros sítios e pessoas, outra é estar verdadeiramente disposto a partir. Andava a escrever uns textos mas como não passo dum Zé-ninguém achei que nenhuma editora ia ter pachorra para olhar para aquilo. Um amigo sugeriu-me que criasse um blog mas o formato não me atraiu até descobrir um admirável mundo novo de maluquinhos que fotografam pessoas na rua. Fiz umas pesquisas e percebi que a vaga de Lisboa estava por preencher. Ofereci-me uma máquina em 2ª mão e é aí que nasce O Alfaiate Lisboeta .
Os meus itinerários favoritos são descer a Avenida e subir o Castelo mas as fotografias que mais gosto são aquelas que têm o Tejo por pano de fundo. Uma coisa é certa, não me imagino a fotografar outra coisa que não pessoas nem a escrever sobre algo que não as meta ao barulho. Tenho as paredes do meu quarto forradas com fotografias das minhas viagens e não há lá Arcos do Triunfo, Coliseus ou Corcovados. Pessoas…só pessoas. Mas Lisboa é feita delas, certo?

A empatia foi imediata, porque cada vez gosto mais de pessoas. E principalmente do caldeirão de misturas que as pessoas podem ter. Cada vez gosto mais de apreciar pessoas, no meu silêncio, de analisar, de imaginar as histórias que se encontram no avesso dos trajes, das sandálias, dos ténis, dos casacos, dos penteados …

Depois fui ao blog, e mais uma vez, foi imediato, tão imediato que vi e li tudo de uma respiração só. Dizer que ele tira bem fotografias é pouco, gosto de fotografia, também tenho uma Canon (ainda estou na 450 e vou ficar por aqui um tempo) , olhar técnico para dizer que ele é um bom fotógrafo eu não tenho, mas olhar sensível para adorar a luz da maior parte das fotografias, eu tenho!!! As escolhas dos modelos seriam as minhas e as palavras… as palavras são aquelas que um dia eu gostava de saber dizer.

Visitem o alfaiate lisboeta, uma pessoa sensível (não, não conheço) , mas principalmente um olhar com alma.

Nota: Não posso deixar de fazer referência ao João , por onde anda este homem que ainda não se cruzou comigo?!

* bom ar é mesmo para definir um menino muito giro, um menino é verdade, mas muito giro 🙂