Gosto cada vez mais da escrita em crónica de José Luis Peixoto. Aliás não conheço a outra, a dos livros, por culpa minha claro. No outro dia chamou-me a atenção a crónica que não era contra os taxistas. Uma situação pela qual já passei diversas vezes – quem não passou – o medo dos taxistas no aeroporto da Portela, medo sem aspas mesmo. E o final feliz com o taxista brasileiro.
E hoje, a crónica “Sózinho, como um cão”. Talvez a escrita tão “fácil”, tão perto de nós, palavras que quase saiem do papel e nos tocam, de tão chegadas. A dor que sentimos não é a dor dele, o ser humano é egoísta e pensando bem, nós nem nos conhecemos. A dor que sentimos é a nossa própria dor, a dor de um passado, de um presente ou até de um futuro que não sabemos mas imaginamos, porque afinal, qual de nós nunca se sentiu sózinho, como um cão?
“…Não ia pensar naquilo que ainda sinto por ela, não ia pensar naquilo que ela pode estar a fazer agora (ler esta crónica), não ia pensar que ela me ligava quando tinha dúvidas de gramática ou quando encontrou uma lagartixa (sardanisca) na casa dela. Porque agora ela já não me liga. Deve ter encontrado outra pessoa a quem ligar.”



Começou hoje o Estoril Film Festival, onde a sétima arte é vivida e compreendida na interacção entre a pintura, fotografia e artes plásticas (bilhetes a 3€ e passe festival a 20€).
